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15 de Julho de 2018




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Feitos pra brilhar

Uma conversa com o psicoterapeuta Leo Fraiman sobre juventude, empreendedorismo, carreira e realização


São Paulo, 03 de setembro de 2007

PERFIL|EDUCAÇÃO
Por Dayane Garcia

O criador do método Leo Fraiman de OPEE (Orientação Profissional, Empregabilidade e Empreendedorismo) foi o responsável pelo fechamento do circuito de palestras e workshops da Advest 2007.

Fraiman deteve a atenção dos alunos por uma hora e meia, com uma palestra bem humorada que quebrou paradigmas sobre a escolha da profissão com dicas e noções de trabalhabilidade e empreendedorismo.

Numa entrevista exclusiva, Fraiman conta um pouco dos assuntos que chamaram a atenção dos pré-vestibulandos. Aproveite a chance de saber mais sobre carreira, escolha profissional, empreendedorismo e felicidade.

Confira a entrevista na íntegra, só aqui.

Como é trabalhar com os jovens numa fase tão importante como a da escolha profissional?
Este trabalho pra mim, sobremaneira numa rede como a Adventista, é muito gratificante porque eu percebo que existe uma comunhão muito forte de valores e princípios que casam totalmente com a missão da própria escola. E como comentei hoje na palestra, a formação de base, os valores, atitudes, os princípios da educação, o berço, o lar, a escola que seja um lar, e um lar que seja também uma continuidade da escola, essa comunidade que de fato é efetiva e que podemos ver pelos professores e pelo contato dos alunos. Esse ambiente sadio e de pessoas do bem por si só é um fator de empregabilidade. Muita gente não vê o quanto atitudes de polidez, educação, o chegar no horário, apertar a mão, saber se arrumar, sentar, ter um linguajar correto, entre outras atitudes, o quanto tudo isso naturalmente trabalha o menino para uma maturidade e no futuro para uma trabalhabilidade, que é uma ampliação do termo empregabilidade. Porque hoje em dia o jovem não pode mais somente ter um emprego, ele tem que ter uma atitude empreendedora, sendo um empresário, sendo um funcionário, sendo um prestador de serviço, ele pode realmente conquistar o espaço no mercado e se manter no mercado com uma série de competências que vão sendo formadas na escola e a partir daí, pelo aluno em si.

Quando você percebeu a necessidade de trabalhar o empreendedorismo com o jovem?
Eu trabalho com este tema há 15 anos e atuando como orientador educacional eu percebi como é clara a necessidade seja nos pacientes ou nos alunos, que este tema, da escolha da profissão, é muito difícil. E durante a faculdade eu senti muita falta de orientação. Eu fiz psicologia e tudo o que eu ouvia é que eu não ia ter pacientes, que eu iria morrer de fome, então tive que ir atrás por minha conta. Fui pesquisar, fazer cursos fora do Brasil, e percebi que lá fora a preocupação com a escolha profissional era uma prática muito forte. Até as escolas públicas tinham isso em aula, enquanto que aqui quase não víamos. Nem livros eu encontrei, então falei que como não tinha nada, criaria eu. Criei um livro didático, com começo, meio e fim e uma metodologia toda sistemática que surgiu por uma percepção minha, eu senti na pele o quanto é difícil não ter orientação nenhuma. A necessidade virou uma missão, tanto que hoje, domingo, eu estou aqui feliz por fazer algo útil, e vejo no rosto de cada um destes meninos o alívio por ouvir que a vida vale à pena.  Tudo o que eles ouvem hoje são frases negativas, colocações do que eles não podem, não sabem, e não conseguirão. Ninguém dá uma voz de estímulo, então eles ficam abandonados, ou são criticados, massacrados, mas nunca inspirados. E eu sinto que é isso que falta pra esta juventude, pra esta geração que sofreu com o esfacelamento da família, com o arrocho econômico, que ficou sem horizontes claros, sem parâmetros. É muito triste você ver jovens que vão desistindo da vida e muito cedo abrindo mão de uma profissão, de uma boa faculdade e mesmo de ser um bom aluno. Isso é um desistir da vida, e não tem nada mais triste do que isso.

Este não desistir é uma luta solitária ou pode ser trabalhada em conjunto?
Ironicamente aquelas pessoas que têm maior habilidade de relacionamento são as que vêm obtendo maior êxito. São pessoas que ironicamente não só tiveram formação educacional, mas, tiveram carisma, poder pessoal, fator humano e que sabem trabalhar em equipe. Agora, dando um passo atrás, a formação destas competências é de fato um projeto individual, é o jovem que vai despertar pra esse querer viver com qualidade, para a vontade de querer agregar algo no mundo. Mas como eles são abandonados por uma família que se esfacelou por um aspecto macro político onde agente não vê lideranças positivas, ficam presos no aqui e agora, numa apatia, muitas vezes até covarde porque por medo de crescer eu nem tento subir na vida, e ás vezes cria uma ideologia do consumismo, do eu quero tirar tudo do outro, eu quero consumir, sou uma coisa, o outro é uma coisa e eu preciso pisar em cima pra chegar lá. Este tipo de pessoa o mercado não aceita.

Você comenta que não existe mais uma profissão da vida, que agora são uma ou duas profissões na vida, e que existe mais a profissão do futuro, mas o profissional do futuro. Como funciona isso? 
Segundo Richard Bolles, um dos maiores orientadores profissionais dos Estados Unidos, autor do livro “Qual a cor do seu pára-quedas”, todo jovem que hoje vive a adolescência vai prestar duas ou três profissões ao longo de sua vida. Isso é fato porque se agente pensar em nanotecnologia, bioética, ciências da vida, naturologia, domotecnologia, e uma série de novas ocupações que surgem a todo o momento. Só pra se ter uma idéia, hoje o mercado de trabalho no Brasil tem 2.422 ocupações enquanto que o americano tem 12.791. Isso porque eles são um país com um mercado consumidor de pessoas educadas e formadas muito maior que o brasileiro, portanto eles têm quatro vezes mais campo de trabalho e profissões que aqui. Então nós temos que despertar pra esta idéia de que não há obrigatoriedade de o jovem se prender a uma só formação. Provavelmente ele vai entrar numa faculdade, durante o estágio vai ter um chefe que irá direcioná-lo pra uma pós-graduação, e depois dos 30, 40 anos, ele vai entrar numa nova “crise” de reflexão e decidir mudar de área dentro de sua própria área ou mesmo numa nova profissão. Isso é algo sadio, só o que não muda é o que está morto. O bebê quando nasce é totalmente maleável, flexível. Só quando a gente está no fim da vida é que vamos endurecendo, secamos tal qual a madeira. Mas o que não pode secar é alma, o coração e o sonho. Vemos muito precocemente meninos presos nesta idéia de escolher uma profissão para o resto da vida quando não há esta necessidade. Esta será a primeira escolha, um primeiro campo que irá conhecer e a partir do qual poderá criar outras formações complementares e usar pra amadurecer e procurar a área que realmente tem a ver com ele.

Essa multiplicidade de escolhas e profissões é uma característica da época atual?
Sim, deste momento. Agente vem observando transformações muito intensas na tecnologia, na arquitetura, no modo como as pessoas vivem, pensam e trocam informações. Se pensarmos que algum tempo atrás a internet não tinha o apoio que tem hoje, que não imaginávamos poder tirar uma foto e ver como ficou na própria câmera, então, há novas tecnologias, há globalização, há mudanças na geografia mundial, e tudo isto vem trazendo novos nichos. Um jovem que hoje tem 17 anos vai encontrar em 10 anos profissões que ainda nem existem. É por isso que ele tem que estar atento e se informar, se atualizar, conversar com gente diferente, não ser uma pessoa bitolada porque é no todo que se forma a especificidade, é quando eu olha a floresta que eu consigo entender a árvore, e não o contrário.

Você diz que o jovem deve se preocupar com a informação e não com a opinião. Em sua experiência com os jovens você percebeu o contrário, o jovem preocupando-se mais com opiniões do que informações?
Isso porque existe um grande paradoxo. Os pais querem que os filhos cresçam e sejam independentes, mas quando o filho mostra sinais da independência, ao escolher a profissão que quer, os pais se assustam. Então os dois grandes erros dos pais são tanto a omissão, deixar que o filho escolha por si só, sem ajudar, sem debater ou conversar, quanto a imposição. Os pais como os professores são co-pilotos da viagem, devem ir junto à universidade, ajudar o filho a pesquisar, ler os livros de orientação profissional, ver as atividades do menino, os testes de afinidade, perguntar os interesses do filho e escutar. Quando existe essa cumplicidade o jovem se sente extremamente agradecido por ter uma família que se importa com ele de verdade. Porque ao escolher para o meu filho existe uma chance muito grande de eu errar porque eu posso não conhecer bem a profissão e posso não saber ao certo o que meu filho quer. Hoje não tem mais uma área que oferece emprego. Você pode pegar uma área que esta crescendo como o direito ambiental, aí você fala pro seu filho prestar, mas, será que daqui a cinco anos ainda vai ser uma boa área. Se agente pensar que há 10 anos as pessoas que faziam web designer eram milionárias e hoje no uol.kit.net você pode fazer o seu próprio site. Isso não quer dizer que não tem mais campo para o web designer, mas quer dizer que aquele que é “o cara” continua tendo espaço e que o mercado já ficou mais restrito. Outro exemplo é que há vinte anos o glamour era fazer publicidade, hoje não mais. Então existem ondas que podem até ser seguidas desde que combinem com o jovem. O grande erro é o jovem entrar numa onda sem a prancha, sem uma boa formação, aí é “caldo” na certa.

O que é uma boa escolha?
É aquela que alia um bom conhecimento sobre as profissões, o que faz o profissional, quais são as áreas onde ele atua, as ocupações, matérias, grade curricular, estilo de vida, ambiente de trabalho e autoconhecimento. É o jovem que realmente se permite, de tempos em tempos, ficar um pouco sozinho, se conhecer, conversar com uma pessoa significativa, quer seja o pai ou um amigo, que tem um diário pessoal, e enfim, um jovem que fez um curso na escola com dedicação e procurou a afinidade entre a pessoa que eu sou e o profissional que eu quero me tornar. Essa escolha quando é feita com consciência, com maturidade, e quando o jovem percebe que não é só escolher o que gosta, mas gostar do faz, dá certo. E é aí que entra o fator maturidade usando de dedicação, virtudes, paciência, moderação e justiça.

Aí é que entra a trabalhabilidade, um conceito que você utiliza?
Isso. A trabalhabilidade são habilidades para conquistar e manter espaço no mercado de trabalho. Então as virtudes que eu citei são formadoras da trabalhabilidade porque nenhuma profissão vai ter somente dias gostosos, nem aulas legais, nem só professores bacanas. Não é só olhar para os dias bons, mas olhar para os dias difíceis e sorrir dentro da gente. Isto é a verdadeira atitude, é uma pré-disposição perante a vida.

É importante para as empresas o jovem fazer atividades solidárias, voluntariado?
Muitas empresas têm hoje como diferencial na contratação os jovens que participaram de atividades voluntárias. Elas entendem que este jovem já treinou uma série de competências como responsabilidade, comprometimento, espírito de equipe, ás vezes liderança, compaixão, empatia, objetividade, disciplina, compromisso e compromisso com o outro. O que a empresa entende é que este jovem normalmente é mais bem preparado, além do que pela necessidade de um cuidado social as empresas preferem ter no seu corpo pessoas que não olham só para si, mas que saibam olhar o mundo onde vivem e podem fazer a diferença.

Como os jovens que não tem condições financeiras pra custear uma boa faculdade e cursos complementares podem aplicar o empreendedorismo e alcançar estes objetivos?
Não ter dinheiro não é condição ou condenação de que ele vai continuar não tendo. Alguns jovens não podem prestar uma universidade e fazer o bacharelado porque não tem condições, então existem dois caminhos, um é dedicar muito, ir atrás de sites, fazer simulados, ser o melhor aluno da minha escola pública, e entrar numa universidade gratuita. Outro caminho são as agências financiadoras como Prouni, Capes, FIES, Ideal Invest, MEC e uma série de órgãos que fazem o crédito educativo e reduz os custos da faculdade particular. Cursos como inglês e informática, você tem gratuito no CIEE, e encontra no site
www.ciee.org.br, basta o jovem querer. Então, muita gente usa o fato de não ter uma condição financeira pra se condenar aos 16 anos de idade, o que é uma apatia, qual chamo de apatia covarde. É covarde porque a pessoa que não se realiza profissionalmente não só impacta negativamente a vida dela, mas a do cônjuge, dos filhos e das pessoas que vão conviver com ela. Nós fomos feitos pra brilhar, pra ser feliz, prova disso é que nossa saúde está intimamente ligada com a felicidade. Quando estamos felizes dificilmente adoecemos, somos seres programados por Deus para sermos felizes. E aqui é que está a responsabilidade com nosso sonho; quanto eu sonho e quanto eu vou proteger aquilo que está dentro de mim, aquilo que eu chamo do fogo do coração, que sai pelo brilho do olhar. Essa é uma atitude empreendedora e tem que ser formatada em casa, formatada na escola, e o jovem tem que entender que a adolescência é a época de pegar a vida nas mãos e entender que daqui pra frente é com ele e dele para o mundo.

Como o pré-vestibulando pode diferenciar uma boa universidade?
Existem cinco fatores que o jovem deve procurar numa universidade. O primeiro é conhecer a formação dos professores e isto é possível numa conversa com o coordenador. Saber se no corpo de professores existe só professores teóricos ou só professores que atuam diretamente no mercado de trabalho é muito importante, porque o ideal é uma mescla dos dois, pois se eu tenho profissionais que só pensam a realidade, ou que só vivem a realidade, mas não a pensam, pode ser uma deficiência na minha formação. A Biblioteca e os recursos de informática que o aluno tem para a pesquisa é o terceiro fator importante que o aluno observa numa visita a universidade. E por último o grau de assistência que existe para o aluno conquistar uma vaga de estágio ou um programa de trainne. Existem faculdades que tem um setor só pra cuidar desta assistência ao aluno, tem um mural de 10 metros com informações de empresas procurado alunos, enquanto outras universidades têm um mural com duas folinhas. Isto também é um indicador para o aluno do quanto esta faculdade tem uma visibilidade boa no mercado. E por último na entrevista com pessoas que trabalham naquela determinada área, o estudante pode pedir que elas citem a faculdade que consideram boa naquela área, pois existem faculdades que tem dois ou três cursos de excelência e outros nem tanto. É claro que o provão e outros marcadores, como o do Inep são importantes, mas é um conjunto de fatores que fazem uma boa faculdade.

O que você achou da Advest?
Eu fico sempre impressionado, desde a primeira vez. Cheguei até a comentar com a professoara Eni Thames o quanto acho interessante ver sempre as pessoas felizes aqui. Vejo pessoas muito educadas e que de fato existe um espírito de comunidade e mesmo num grande evento como este, que é aberto a centenas de jovens, você não vê uma briga, uma parede riscada, é um ambiente familiar que pra mim é muito rico. Eu tenho tido a oportunidade de estar em escolas do Brasil inteiro e eu digo que aqui é uma ilha de excelência, de valores, de seriedade, de pessoas que demonstram carinho, afeto, boa vontade, mas isto não exime o professor de oferecer seu trabalho com excelência na sala de aula. Isso pra mim fica nítido aqui, na organização, na variedade de universidades e no número grande de alunos que respondeu ao convite. Vocês realmente estão no caminho certo e eu fico muito feliz de pertencer de alguma forma a esta comunidade. Pra mim é muito gostoso quando eu venho fazer algum trabalho, alguma palestra.


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