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Domingo,
23 de Setembro de 2018




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"Visão" supera falta de vista

"A sociedade nos vê de duas formas: tem quem acha o deficiente genial, um santo, e tem quem acha que somos pobres coitados."

Inclusão | Superação

Manuel de Jesus, de 38 anos, morador do Jardim Mitsutani, aprendeu desde cedo que não seria a ausência de vista que o impediria de ter uma vida normal e independente. Ele foi vítima de glaucoma (aumento de pressão do globo ocular além do que o olho pode suportar, levando à cegueira), quando ainda era criança.

Manuel de Jesus, de 38 anos, morador do Jardim Mitsutani, aprendeu desde cedo que não seria a ausência de vista que o impediria de ter uma vida normal e independente. Ele foi vítima de glaucoma (aumento de pressão do globo ocular além do que o olho pode suportar, levando à cegueira), quando ainda era criança.

Amante da boa música, aprendeu a tocar violão no Instituto de Cegos do padre Chico, no bairro do Ipiranga. Há mais de dez anos dá aulas de violão, mas continua estudando o instrumento na Academia de Arte do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp).

Manuel também gosta muito de cantar, e gravou dois CDs. Um com música sacra e outro com musicas culturais e educativas para datas comemorativas como dia das mães e dos pais, entre outras homenagens.

Mas para ajudar completar o orçamento da família, Manuel de Jesus ainda faz e vende pães caseiros, vende os próprios CDs, canta e toca em eventos.

Na agenda cheia de atividades, ainda consta a esposa Débora Toniolo de Jesus, de 45 anos, com quem está casado há 8 anos, e a filha Ires, de 7 anos.

Claro que a esposa ajuda cuidar da filha e da casa. Pode até parecer uma questão de sobrevivência, não fosse o fato de Débora também ser cega. O motivo foi retinopatia da prematuridade, consequência de nascimento prematuro.

Débora também não desistiu de ter uma vida normal por causa da falta de visão. Formou-se em Pedagogia pelo Unasp, e atualmente trabalha como auxiliar do professor de música na Escola Adventista do Capão Redondo, e nas férias também dá aulas de reforço. O próximo sonho é fazer pós-graduação.

Ires, a filha do casal, garante que a família leva uma vida normal. "O que eu faço pelos meus pais é o que qualquer pessoa também pode fazer quando eles andam sozinhos", conta. "Eu paro o ônibus e ajudo atravessar a rua. Em casa, de vez em quando eu lavo a louça, mas é porque eu quero aprender mesmo. Meus pais fazem tudo sozinhos", afirma Ires que se incomoda quando as pessoas dizem: - "Cuida bem do papai! - Isso não tem nada a ver!" desabafa.

Falta de informação

Manoel de Jesus acha que preconceito é consequência de falta de conhecimento: "A sociedade nos vê de duas formas: tem quem acha que o deficiente é genial, um santo, alguém fantástico, e tem quem acha que somos uns pobres coitados", diz.

"As pessoas têm a tendência de achar que o deficiente é diferente, pelas coisas que a gente faz, acha que a gente não peca, que somos puros, que eu sou um santo e que vivo um pedaço do céu na terra. Mas a única coisa que os outros têm que eu não tenho é a vista. O resto é tudo igualzinho. Posso garantir’, explica Manuel.

Quando Débora ia começar o trabalho na Escola Adventista do Capão Redondo, o colégio ficou preocupado com as escadas. "Ninguém sabe que na minha casa tem escada, e a gente sobe e desce de olho fechado toda hora", brinca.

Manuel de Jesus acredita que a informação é a principal arma contra o preconceito. "A maior ajuda que alguém pode dar ao deficiente é se informar sobre quais são as reais limitações e conhecer as capacidades que nós temos. Há muito mito", diz ele.

"Hoje mesmo, quando vim à redação do seu jornal para dar esta entrevista, ali no balcão a recepcionista perguntou pra outra pessoa: - Ele está com você? - Ela poderia ter perguntado pra mim se eu estou acompanhado", esclarece. "A impressão é que as pessoas pensam que eu não consigo ouvir e que não vou entender nada se falarem comigo. Mas eu não sou surdo. É uma limitação de comunicação diferente".

Sobre a forma de tratamento na sociedade, as pessoas precisam tratar o cego como uma pessoa normal, e lembrar que eles também possuem um caráter que pode ser bom ou mal, como é com todos.

"Meus pais são pessoas normais, eles também sentem tudo. Se a gente taca pedra neles eles sentem também", conta a Ires.

"Tem gente que acha que nossa filha que cuida da gente, e ao se despedir se abaixam e dizem pra ela continuar cuidando direitinho."

Até mesmo quem se espera que seja esclarecido comete gafes. Certa vez, Manuel foi ao médico e a doutora entregou a receita na mão de sua filha que o acompanhava porque ele a estava levando para sair após a consulta.

O professor de violão considera a esmola como uma desculpa para a preguiça. "Nós cegos temos sim limitações de visão. Mas somos capazes de fazer muitas coisas, e podemos sim trabalhar com dignidade, sem a necessidade de ficar na rua pedindo esmolas. Eu tenho pavor disso", conta.

"De vez em quando alguém me aborda e me dá uma moeda, do nada. Eu não pego. Só porque sou cego e andando na rua não significa que estou pedindo esmolas. As pessoas criam essa imagem e acabam contribuindo para a falta de inclusão social."

Além de uma boa conversa, tem sempre uma ajuda que é indispensável: "Se alguém quiser me ajudar, pode ajudar a atravessar a rua e a parar o ônibus quando eu estiver no ponto, pois só consigo ler com as pontas dos dedos, o Braile."

O próximo projeto de Manuel de Jesus é dar palestras sobre cegueira nas empresas, onde pretende transmitir informações formações sobre a deficiência a fim de diminuir o preconceito e o tratamento equivocado. "Pra mim, visão é uma questão de pensamento e atitude. O resto, qualquer tipo de deficiência é apenas uma falha mecânica que pode ser superada", conclui.

Contato:
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Para interessados em estudar violão com Manuel de Jesus
Telefone:
 (11) 5824-7516 / 7631-1982.
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Aulas de reforço escolar com Débora Toniolo
Telefone: (11) 5824-7516 / 7631-1929
 


Débora Carvalho


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