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Domingo,
23 de Setembro de 2018




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Pediatra fala sobre prevenção do abuso contra menores

O dia 18 de maio é Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Infanto-juvenil. A data serve para fazermos uma reflexão maior sobre o assunto, tentar entender as causas e procurar formas de prevenção.

Criada há 18 anos, a Abrapia – Associação Brasileira Multi-profissional de Proteção à Infância e Adolescência – tem como objetivo a defesa e a promoção dos direitos de crianças e adolescentes. O presidente da Abrapia, Dr. Lauro Monteiro, é pediatra e, pela experiência profissional, alerta que muitos casos de abusos acontecem dentro do ambiente familiar. Ele chama atenção também para uma nova forma de agressão, o bullying, violência entre alunos nas escolas.

A entrevista que segue foi realizada e publicada pelo Portal do Voluntário, no dia 19 de maio. Aproveite o conteúdo para mobilizar a campanha de combate à violência, promovida por todas as igrejas e escolas adventistas no mês de agosto, no projeto Quebrando o Silêncio.

A Abrapia está completanto 18 anos. O que motivou a criação da instituição e qual seu principal objetivo?

Por estar completando 18 anos, a Abrapia já se distancia um pouco dos objetivos das milhares de ONGs que surgiram depois. Quando ela foi criada, o Estatuto da Criança e do Adolescente ainda não existia. A Abrapia foi fundada, por oito pessoas, com o objetivo de fazer tudo para garantir direitos de crianças e adolescentes. Eu era Chefe da Pediatria do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, quando percebemos que tínhamos que fazer mais coisa nesse meio. Nosso pensamento básico sempre foi a prevenção, encontrar uma forma de evitar que as coisas aconteçam.

Quais são os tipos mais freqüentes de violência e abusos que atingem crianças e adolescentes no Brasil?

O Brasil é muito fraco em estatísticas e por conta disso acaba passando uma imagem equivocada para o mundo, pois nos baseamos em notícias de jornal. Com isso, as variáveis acabam mudando muito. E cabe a nós trabalhar para melhorar a qualidade das pesquisas e estatísticas do país.

Por conta dessa falha nas estatísticas, não temos como saber exatamente. Mas pela vivência, acredito que a violência que ocorre dentro de casa é a que mais acontece, seja ela física, sexual, psicológica ou o próprio abandono. Esse tipo de violência, aliás, é uma das causas da violência fora de casa, porque as crianças crescem com raiva da sociedade, traumatizadas.

Pela sua experiência, quem são os principais autores destes abusos que atingem crianças e adolescentes no Brasil?

Os próprios pais, familiares, alguém que a criança confia e ama. Na maioria das vezes, os abusos e agressões ocorrem dentro do núcleo familiar.

Por que há tantos casos de maus-tratos cometidos pelos pais?

As causas são múltiplas. Pais também podem ter sofrido maus-tratos quando crianças. A questão cultural também é muito forte, assim como a falta de educação e respeito à cidadania. Quanto mais machistas os pais, mais eles agem dessa forma. Eles exigem respeito de maneira equivocada. O consumismo exagerado, que leva a uma frustração, também pode ser considerado como outra causa.

Outro fator importante é a desigualdade social. Os pais ficam chateados, estressados, bebem e descontam nas mulheres e nos filhos. E, quanto menos escolaridade e menos conhecimento dos direitos por parte da mulher, mais isso acontece.

O que é considerado negligência?

Negligência é não prover à criança o que é básico para o seu desenvolvimento: saúde adequada, alimentação e cuidados necessários. Quando a criança não recebe o suficiente, é considerado negligência, seja pelos pais ou pelo estado (em alguns países, os estados provêem atendimento hospitalar de qualidade, vacinas, etc.)

Muitas vezes vizinhos e parentes testemunham a violência e os maus-tratos. Como a sociedade em geral se comporta frente a um caso de violência contra crianças?

De um modo geral, as denúncias acontecem. Já existe uma consciência da importância da denúncia, mas ainda falta é um bom sistema de denúncias. Os aparelhos de controle ainda falham, falta infra-estrutura de equipamento social e polícia treinada. Não adianta só denunciar e ninguém agir em relação àquilo. Se preocupar, o povo se preocupa.

Como deve ser o papel da escola quando a criança apresenta sinais de abuso?

A escola é uma parte importante da sociedade. É preciso que exista uma boa formação dos professores para que eles entendam como identificar marcas de abuso. Se desconfiar, é obrigação dos médicos e professores, de acordo com o ECA, de denunciar. Tem que tentar tomar providências cabíveis para tentar parar e acabar com a situação.

Como fazer para denunciar o abuso e a quem denunciar?

O certo é denunciar para os Conselhos Tutelares de cada município. As sociedades têm que cobrar para que prefeitos e deputados criem os conselhos. Em alguns casos, eles até existem, mas as pessoas são destreinadas para atender. O governo disponibiliza, atualmente, o número 100 para denúncias apenas de violência sexual, porque ela envolve outros aspectos como a polícia, no caso da prostituição, e mecanismos internacionais, por conta da internet. Isso porque apenas um número não dá conta de atender todas as denúncias de todos os tipos de violência. Saiba mais sobre o ECA e os Conselhos Tutelares.

Como a Abrapia atua nestes casos?

Atualmente, a Abrapia está em uma fase reduzida, porque uma série de projetos foi assumida pelos governos municipal, estadual e federal. Hoje, a Abrapia atua muito no campo da divulgação dos direitos da criança e do adolescente e do “bullying”, violência entre alunos nas escolas.

Desenvolvemos pesquisas, cartilhas, livros, além de uma análise sobre o “bullying” em 11 escolas do Rio de Janeiro. Alguns dados estão disponíveis no site www.observatoriodainfancia.com.br.

Nestes 18 anos de trabalho da Abrapia, vocês percebem que os casos de violência, abuso e maus-tratos contra crianças e jovens aumentaram ou diminuiram?

Aumentou o número de denúncias. Há uma mudança notória na cultura da sociedade. Hoje, a Abrapia trabalha na divulgação da campanha “Diga não à palmada como forma de educação.” Esperamos que chegue o dia em que os pais consigam impor autoridade sem autoritarismo.

O que o cidadão comum pode fazer para ajudar na luta contra a violência e o abuso de crianças e adolescentes?

Ter a certeza e a consciência de que a criança merece ser respeitada. É preciso se informar sobre o ECA, ler artigos sobre o assunto e sempre impor limites – crescer sem limites é negligência – sem agressão.

Ser pai é difícil e ninguém nasce sabendo ou faz curso para aprender. Mas é necessário respeitar os direitos desde cedo para evitar conseqüências mais sérias (gravidez precoce, envolvimento com drogas, etc.). E sempre alertar para o problema, denunciando sempre.

A Abrapia precisa de voluntários na área de comunicação para a divulgação de projetos e campanhas. Os interessados em participar dessa causa devem mandar e-mail para observatorioinfancia@terra.com.br

Fonte: www.portaldovoluntario.org.br

Redação


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