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Quarta-Feira,
26 de Setembro de 2018




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Lula, sexo e igreja: preconceito contra preconceitos

E o presidente falou de sexo. Do alto de sua autoridade, como mandatário da nação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem (7 de março de 2007) um discurso pedindo o fim da “hipocrisia” e do preconceito por parte de algumas famílias e da Igreja quando o assunto é sexo, e disse que sexo é algo do qual “quase todo mundo gosta”. Em sua opinião, “preservativo tem que ser doado e ensinado como usar” e “sexo tem que ser feito e ensinado como fazer”. De acordo com Lula, “somente assim teremos um país livre da Aids”. Para ele, não se pode dizer ao adolescente quando começar. Basta ensinar como utilizar o preservativo e deixar que a natureza siga o seu curso.

Não era isso que os meus pais pensavam. E explico: eles eram extremamente preconceituosos quanto à educação sexual, e hoje carrego algumas marcas desse preconceito em minha vida. Veja abaixo.

Para meus pais, que eram membros da Igreja (outra preconceituosa), a “natureza” nem sempre deveria ser seguida. Se alguém nascesse com uma “natureza” inclinada para o roubo, a mentira ou a violência, por exemplo, essa “natureza” precisaria ser transformada. Para eles, educação era justamente esse processo de transformação da “natureza”. Sexo, segundo eles, não era uma questão de dar camisinha e ensinar como usar. (Aliás, não é lá a coisa mais difícil do mundo.) Segundo eles, sexo deveria ser reservado apenas para o casamento (imagine só!). Sexo antes do casamento ou fora dele era mesmo pecado. Namoro, então, deveria acontecer apenas quando houvesse intenção ou possibilidade de casamento, e eles sempre faziam questão de deixar claro que na adolescência o estudo deveria ser muito mais importante do que a vida amorosa. Isso serviu para produzir em mim uma noção de culpa que tem limitado minha vida em muita coisa.

E eles agiam dessa forma, sem dúvida, principalmente por causa desse preconceito que nutriam em relação a sexo, namoro e amor. A palavra “preconceito” indica que existia mesmo na cabeça de meus pais um “pré-conceito”, ou seja, um conceito já anteriormente formado, baseado em alguma coisa. No caso deles, esse preconceito era baseado na Bíblia, que eles criam ser a revelação de Deus, o Criador de todas as coisas. Eles achavam que o mesmo Ser que criou tudo, sabe como todas as coisas funcionam melhor, e isso incluía o sexo.

Por causa desse “pré-conceito”, quando surgiam as mais diversas situações, eles já sabiam de antemão (“pré”) como agir. Ficava muito difícil surpreendê-los porque seu conceito já estava pré-formado e era sempre divulgado. Assim, dificilmente eles eram pegos de surpresa. Por isso é que eu digo que meus pais eram mesmo muito preconceituosos, na própria acepção da palavra.

E não foram só meus pais. Deus, a Bíblia, a Igreja e a escola cristã onde eles me colocaram também tiveram sua parcela de culpa na formação desse preconceito. Por tudo isso, eu não podia namorar, abraçar e beijar, e nem ter sexo como faziam os outros garotos aos 13 ou 14 anos (fui pai apenas aos 24, e depois de casado, algo cada vez mais incomum hoje). Mais tarde, quando namorava, meus pais não paravam de se intrometer em meus namoros, controlando tudo, querendo saber onde eu estava e estabelecendo um horário-limite para eu chegar em casa, em grande parte, porque eles temiam que eu tivesse algum envolvimento sexual antes daquilo que eles achavam que era a época certa.

Assim, eu era proibido de passar a noite em baladas, e fui muitas vezes “barrado” de dormir fora de casa. Só podia dar no que deu: tive que me casar virgem! E com quem? Com uma outra vítima de doentios preconceitos parentais, que também foi obrigada a casar-se na mesma situação deplorável. Ambos fomos praticamente compelidos pela sombra desses preconceitos paternos a contradizer nossa “natureza” durante o namoro. Ah, já ia me esquecendo: eu fui praticamente o primeiro namorado dela! Se nós tivéssemos participado do Big Brother ou das novelas da Globo, talvez você morreria de sono...

Por causa desse preconceito perdi o privilégio de dormir com outras mulheres antes do casamento. Agora, minha única memória ligada ao prazer sexual está associada à minha esposa, e vice-versa, o que acabou produzindo uma ligação muito forte entre nós. Mesmo nos momentos mais difíceis de nossa vida conjugal, nunca tivemos outra experiência de prazer para comparar com a atual, simplesmente porque essa é a única, e por ser única é forte! Se na adolescência pudéssemos ter sido sexualmente ativos, nosso sentido de compromisso vitalício teria se diluído no caldo da promiscuidade.

Mas como perdi esse privilégio, agora só tenho uma casa para voltar depois do trabalho. Meu cérebro ficou como que acostumado a ter uma só mulher, e o dela, um só homem, graças a esse pernicioso preconceito em nós incutido por nossos pais.

Esse preconceito também colaborou para que minhas duas filhas, que são jovens, perdessem outra vantagem: a de ter pais separados. Se minha esposa e eu não estivéssemos juntos, seria para nós muito mais difícil nos metermos na vida delas, estabelecendo limites e colocando barreiras. Talvez cada um de nós tentaria ser um pai ou mãe mais “legal” que o outro, mais aberto e moderno, cada um procuraria boicotar as regras do outro para roubar para si o coração das filhas, e assim elas acabariam tendo muito mais liberdade. Mas os preconceitos de meu pai e minha mãe acabaram com tudo.

Eles fizeram comigo e com meu irmão e minha irmã uma verdadeira “lavagem cerebral” promovendo esses conceitos jurássicos de que sexo deveria ser apenas para depois do casamento, e com apenas uma só pessoa. Hoje, reconheço que fui irremediavelmente contaminado por esse preconceito, e agora, muitas vezes até de forma inconsciente, acabo promovendo em minhas filhas a mesma “lavagem cerebral” que eles fizeram comigo.

Assim, as chances de que elas se casem virgens e que seu casamento seja estável e permanente também são bem maiores do que as da população em geral. Seus filhos provavelmente também terão pai e mãe morando juntos, trabalhando juntos para cuidar, estabelecer limites, e... de novo, colocando preconceitos na cabeça deles. Esses filhos dificilmente serão crianças de rua, esmoleiros de semáforo, batedores de carteira, atiradores de balas perdidas (...ou direcionadas), dificilmente serão cheiradores de cola ou vão arrastar crianças indefesas pela rua afora, atadas ao cinto de um carro roubado. Isso porque seus pais também vão “dar em cima”, sem muita chance para aquela verdadeira liberdade com a qual todo adolescente sonha. Que fiasco! Tudo por causa de preconceitos!

Ainda bem que existe muita gente grande lutando para desenvolver um forte preconceito contra os preconceitos! Mas... isso também não seria preconceito...?

Marcos Faiock Bomfim
Terapeuta familiar e pastor


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