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Quarta-Feira,
18 de Julho de 2018




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"O Orkut destrói a família brasileira"


 
Por José Paulo Lanyi (*)

 
A frase do título é de um amigo meu. Ele acha o Orkut um perigo. Mensagens carinhosas que pululam de um computador para o outro acabam com relacionamentos, semeiam crises, denunciam estrepolias íntimas, bagunçam a vida dos internautas. Como esse meu amigo não é homem de, vamos dizer, uma mulher de cada vez, tem suas razões para evitar a superexposição na rede. 
 
Lembrei-me dele, ao ler uma notícia de hoje sobre mais um crime cometido nessa seara eletrônica. Conforme a reportagem de Plínio Delphino publicada no Diário de S. Paulo, um estudante de 17 anos sugeriu a uma quadrilha que roubasse a casa de um ex-colega de escola, Ramon Augusto Merighi Sobrinho, um garoto de 18 anos, “ao saber, por meio do site, que o pai da vítima estaria viajando”.
 
O Orkut teria sido o palco do planejamento do crime, mas também do castigo. O relato nos diz que lá mesmo, no mundo dos “sociobytes”, Ramon acabaria descobrindo uma foto de um dos assaltantes junto ao seu “amigo” virtual.
 
Tudo teria começado assim:
 
“Depois de contatar Ramon pelo Orkut e simular interesse em jogar videogame na casa do rapaz, seu ex-colega encontrou-se com Jeferson, Cição e Pé – os dois últimos estavam armados. Na Rua Agostinho Lattari [Alto da Mooca, São Paulo], o adolescente tocou a campainha da casa de Ramon, que, ao vê-lo à porta, acompanhado de outras três pessoas, atendeu. Pé e Cição sacaram armas, dominaram Ramon, seus dois irmãos, a mãe e duas empregadas da casa. O ex-colega fingiu também ter sido rendido e, durante a ação, agiu como se fosse refém dos assaltantes”.     
 
Os bandidos foram embora com um carro, aparelhos de DVD, videogame, TV, jóias e outros objetos roubados. Na seqüência, Ramon teria deparado, no Orkut, com a foto do seu “amigo” lado a lado com um dos assaltantes. Decepção, encrenca e polícia.
 
Esse é um entre tantos crimes praticados por meio do Orkut. Há poucos dias, a pedido do Ministério Público Federal, a Justiça Federal autorizou a quebra de sigilo de 38 criadores de perfis e comunidades do site vinculados a pornografia infantil, racismo e apologia ao suicídio e ao homicídio- informa a mesma reportagem. A Google Brasil, subsidiária da americana Google Inc., proprietária do Orkut, anda não encaminhou esses dados à Justiça e terá de pagar uma multa diária de R$ 1,9 milhão caso não cumpra a determinação em um prazo de 15 dias. No entanto, a Google Brasil resiste na peleja judicial. 
 
Ontem, o pai do adolescente envolvido no roubo, do tal “amigo” do Orkut, estava desesperado e chorava na delegacia. “A dor que estou sentindo no coração é igual à sentida com a perda dos meus pais”, desabafou o comerciante de 52 anos, envergonhado pelo filho e “sem chão”.  
 
O Orkut não destrói a família brasileira. É a família brasileira que está destruindo o Orkut. Ou, para sermos realistas, o indivíduo doente que emerge de uma sociedade desestruturada, se não pela inconsistência dos relacionamentos reais, pela própria condição humana, aquela que cria para depois ter que conter as conseqüências dos vícios que lhe são naturais.
 
O Orkut da pedofilia e do roubo está para o seu criador, o turco Orkut Buyukkokten, como o avião de guerra estava para Santos Dumont, que se suicidou em 1932, no Guarujá, desolado por ver o seu invento transformado em um artefato de destruição.
 
Matou-se em vão.
 
A mesma dinamite usada para fins pacíficos (vide a história de Alfred Nobel), como a engenharia, sangra milhares de uma só vez, em nome da ambição de três ou quatro imorais. Assim é com a mesma faca que descasca a laranja e retalha o objeto da tara dos assassinos em série.
 
Voltando ao foco: “A internet não é uma terra sem lei”. Esta frase não é do meu amigo-filósofo, mas da advogada paulista Patrícia Peck, autoridade sobre o uso da rede, entrevistada pela IstoÉ desta semana. “Quem se relaciona virtualmente responde por seus atos com base na Constituição Federal e nos Códigos Civil e Penal. O que falta é um código específico para nortear o uso da internet”.
 
A especialista diz que atualmente há cinqüenta projetos de lei no Congresso para coibir uma série de crimes praticados na web. Sobre a responsabilidade dos pais, ela alerta, na entrevista a Julio Wiziack: “Eles se esquecem que podem responder por crimes cometidos por seus filhos. É o que diz a lei em relação aos menores de 18 anos. Os jovens precisam ouvir de seus pais que não dá para escrever tudo o que pensam em blogs, e-mails ou comunidades virtuais porque responderão por suas idéias caso alguém se sinta ofendido por elas. Emoções que antes eram manifestadas verbalmente hoje ficam registradas na internet. Existem casos de demissões por justa causa devido a manifestações desapropriadas em páginas do Orkut e o mau uso de e-mails corporativos”.   
 
Ainda sobre o Orkut: é natural que a Google hesite em abrir o sigilo dos freqüentadores do site. Romper o compromisso com a privacidade pode ser letal no mundo dos negócios. Mas é preciso considerar: pior mesmo é ficar com fama de abrigar um ponto de encontro de quadrilha. Seria esconderijo, se não fosse público.
 
(*) Jornalista, escritor, ator, é autor de quatro livros, um deles com o texto teatral "Quando Dorme o Vilarejo" (Prêmio Vladimir Herzog). No jornalismo, tem exercido várias funções ao longo dos anos, na allTV, TV Globo, TV Bandeirantes, TV Manchete, CNT, CBN, Radiobrás e Revista Imprensa, entre outros. Tem no currículo vários prêmios em equipe, entre eles Esso e Ibest, e é membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).

 

Fonte
: www.comunique-se.com.br

 


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