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Domingo,
15 de Julho de 2018




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Pensar na comunidade é vital

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Marcos Natal é coordenador dos cursos de Pós-Graduação do Centro Universitário Adventista de São Paulo na capital paulista. Em uma feira de saúde no Jardim Santa Margarida, que envolveu 500 pessoas atendidas e mais de 70 estudantes e profissionais de saúde entre outras áreas, concordou em dar uma entrevista. Em foco, o papel da Igreja na comunidade.


A igreja precisa se preocupar com a comunidade?


A questão religiosa hoje passa por um jogo de interesses, não por causa da Igreja Adventista, mas porque a religião é muito explorada comercialmente. As pessoas ficam desconfiadas, porque você pode ser um dos outros, quer ganhar as pessoas mais por um interesse comercial. Precisamos levar para as pessoas aquilo que elas precisam: qualidade de vida, ensinar como viver melhor.

Depois que s pessoa percebe que está sendo acolhida, que alguém está se preocupando com o bem-estar dela aí sim, a gente começa a levar a mensagem religiosa, o evangelismo. O nosso objetivo final é este. Mas quando a gente começa a entrar com o evangelismo, a gente já ofereceu para ela uma quantidade de recursos que vão melhorar muito a vida dela.


Ganhar confiança


Ela vai ganhar confiança. Se Elas vai pensar: estas pessoas não estão querendo só que eu me converta, mas pensam em mim como um todo.

Começamos a trabalhar com qualidade de vida e vamos entrando sutilmente com a questão mais espiritual, ganhar estas pessoas para realmente.

No final das contas, quem decide são as pessoas, através do Espírito Santo. Mas eu tenho que fazer a minha parte aqui na terra. Vou pedir que o Espírito Santo faça o trabalho nas pessoas e sensibilize as pessoas que aceitem a mensagem. (...)


Relacionamento com a comunidade


Precisamos conhecer os líderes comunitários todos. Por que o pastor se preocupa, às vezes com o rebanho dele? Quem que ele visita? Os membros da igreja. Ele precisa conhecer os problemas da comunidade, violência, drogas, prostituição, carestia de vida, dificuldades, desemprego, ele precisa dar resposta para isso. Se ele não der resposta para isso, não adianta. Acontece que parece que o pastor não está preparado para a realidade, porque o mundo mudou muito de 20 anos para cá.


Pastores da comunidade

O pastor, eu acho, não está preparado para esta realidade. Qual é a nossa realidade? É o casamento que não existe, é o filho que não mora mais na casa. É a droga, a prostituição, é a menina de 13 anos que está grávida. O pastor não está preparado para lidar com esta realidade e tem que dar conta dela, dar uma saída para ela.

É uma realidade diferente da que a gente quer, mas é a membresia dele, o rebanho dele. O rebanho dele não são os membros de igreja. É a ovelha perdida que ele precisa buscar. Ele se preocupa com a ovelha que está só aqui. A perdida que eu falo é a que nem ouviu, que nem conhece o pastor ainda.


Novos métodos, mesma missão


A nossa missão hoje é pregar o evangelho. Mas hoje existe em cada esquina uma igreja pedindo dinheiro. Se hoje eu quiser só pregar, eu acho que você vai se tornar um deles. Mas se a gente oferecer um trabalho que está num nível muito maior, aí sim eu tenho como pontuar.

O que era evangelismo antigamente? Era pegar um folheto e distribuir sábado à tarde. O que é hoje? É conhecer a sua comunidade, o que as pessoas precisam, qual a carência material delas.


Perguntas certas

Eu chego num culto aqui e digo, “você tem que ser vegetariano”. Coitado, o rapaz não tem nem dinheiro para comprar uma carninha de terceira e vai deixar carne para comer arroz, feijão e salada. Daqui há um ano vamos precisar internar a pessoa.

Lá entre os ricos, o discurso é outro. Mas aqui, o que a gente vai fazer? Eu tenho que me preocupar com as pessoas, com o que elas comem. “Eu ganho 200 reais por mês. Qual deve ser o meu regime alimentar com 200 reais por mês?” A gente precisa dar a resposta para ele.


Quilômetros de diferença


Não é somente aquela coisa bonita – farelo, granola. Treze reais, um saquinho de meio quilo. O que eu vou falar para ele? E para a mulher que está separada do marido e tem três filhos para criar, ou o homem que tem uma banquinha na esquina e está desempregado? Ele pensa: “o que eu vou comer no almoço da segunda-feira?” A realidade da igreja é uma e da comunidade, outra. É quilométrica a distância. Nós precisamos derrubar esta barreira.

Quem está aqui do outro lado é muito pior. A gente ainda tem uma esperança, um conforto espiritual. Eles não. Pensam: “Estou liquidado”. A filha já não tem mais recuperação, o filho está drogado e não tem volta, a vida acaba aqui [pensam], estou pagando o pecado que alguém cometeu. Não têm esperança nenhuma.


Paulistasul: Já que você mencionou esperança, o que é ser um agente da esperança?

É levar esperança para as pessoas. Mas uma esperança no nível prático. Esperança é uma coisa que a gente conquista aqui, alguma coisa palpável. Não pode ser alguma coisa muito teórica, muito elaborada que eu nunca vou alcançar. Eu tenho que transformar a esperança em coisas práticas. Se eu não transformar a esperança em coisas palpáveis, eu estou iludindo as pessoas. É ilusão. Eu estou enganando as pessoas.


Paulistasul: Que coisas práticas?


Eu tenho que atingir as necessidades reais das pessoas. Se eu não atingir as necessidades reais das pessoas, não há esperança nenhuma para elas. Esperança é quando eu atinjo as necessidades reais das pessoas. E quais são as necessidades reais das pessoas daqui? Passa muito pela necessidade social. Eu tenho que dar uma satisfação social para as pessoas. Meu Deus não é um Deus que quer só as pessoas com dinheiro, as pessoas sadias.


Jesus


Se Jesus estivesse andando em pessoa nas ruas de São Paulo, a turma dele seria esta aqui, as pessoas que estavam com fome, doentes. Quem ia para Jesus eram estas pessoas. E nós somos do lado do sacerdócio, elitizado, do ritual, das tradições, e as pessoas estão passando fome aqui do lado.

Se eu não abrir a porta para a comunidade, o que eu estou fazendo aqui? Para que eu estou aqui, se não é para servir a comunidade? A gente precisa sair da teoria e começar a melhorar a vida das pessoas. Se há um problema sério na comunidade, a igreja precisa ajudar a resolver.


Paulistasul: Então serão as pessoas que vão pedir estudo bíblico?

Claro! Mas a necessidade material da pessoa, no fundo é uma carência espiritual. Só que eu não posso atacá-la [por não aceitar a Igreja], porque a religião ficou banalizada. Quando eu melhoro a situação material da pessoa, automaticamente estou trabalhando o espiritual. Afinal, o que é o bom cristão? É a pessoa saudável, uma pessoa bem de saúde, equilibrada espiritualmente e mentalmente.

É um trabalho gradativo, passando pelas necessidades mais urgentes dela, até a principal necessidade, que é a espiritual. É se preocupar com ela como um todo, como um ser humano.

Diogo Cavalcanti

 

 


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