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Quinta-Feira,
13 de Dezembro de 2018




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Michelson Borges entrevista Marcos César Pontes, que afirma crer em Deus

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Hoje, às 23h29, Pontes deve ir ao espaço numa nave Soyuz, acompanhado de um comandante russo e um engenheiro americano. Para esta viagem, o primeiro astronauta do hemisfério Sul do planeta completou em 5 meses um treinamento de 13 meses - fato inédito na história da Nasa.

Formado em Engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e com Mestrado pela Naval Postgraduate School, em Monterey, Califórnia, o astronauta Marcos César Pontes Pontes, de 42 anos, é casado com Fátima e tem dois filhos.

Enquanto se preparava para sua missão, na Cidade das Estrelas, próximo a Moscou, concedeu esta entrevista por e-mail a Michelson Borges:

O senhor sempre dá valor à família. Por quê?

Meus pais, meus mestres! As coisas mais importantes que aprendi, até hoje, foram ensinadas por eles. A estabilidade familiar é o primeiro passo fundamental para o crescimento do indivíduo em todos os aspectos. Agradeço muito a Deus a oportunidade de conviver com pessoas tão maravilhosas.

De onde veio seu gosto por voar?

Quando criança, foram inúmeras as visitas ao Aeroclube de Bauru, para ver a Esquadrilha da Fumaça, e à Academia da Força Aérea (AFA), onde meu tio sargento servia como membro da equipe de manutenção de aeronaves. Decolava ali, entre a poeira levantada pelos motores dos T/6 no estacionamento do aeroclube e o cheiro de combustível de aviação nos hangares da AFA, o sonho de voar que me sustenta nessa jornada até hoje.

Como recebeu a notícia de que participaria de uma seleção de astronautas da Agência Espacial Brasileira?

Soube que haveria uma seleção através de um e-mail do meu irmão. A princípio achei um tanto difícil que eu pudesse ser selecionado entre tantos excelentes candidatos disponíveis. Imagine como se sentiu aquele garoto simples do interior, só pelo fato de estar participando dessa seleção!

Como foi sua aprovação para treinamento na Agência Espacial Norte-americana (Nasa)?

Após selecionado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), em junho de 1998, como parte dos seus direitos de participação na Estação Espacial Internacional (EEI), o Brasil me enviou para treinamento na Nasa. A seleção foi feita pela AEB, com a assessoria da Nasa e de vários setores técnico-científicos brasileiros como, por exemplo, a Academia Brasileira de Ciências. Após dois anos de curso, concluí a fase essencial de treinamento, sendo declarado “astronauta” pela Nasa em dezembro de 2000. Tornei-me, assim, único astronauta profissional formado e treinado completamente pela Nasa, em atividade e pronto para vôo espacial, com nacionalidade oficial de um país do hemisfério sul do planeta.

O que é preciso para ser astronauta?

Existem requisitos de saúde e de formação acadêmica. Então, primeiro, cuide muito bem de sua saúde. Fique longe de drogas, cigarros, bebidas, etc. Faça esportes. Relaxe de vez em quando. Sorria muito! Estude muito também. O estudo nos dá condições de ser o que quisermos na vida. Acredite nos seus sonhos. Lembre-se que você é que é responsável por fazer com que eles se tornem realidade. Mais ninguém. Assim, ouça primeiro a voz do seu coração. Depois as pessoas que sempre estarão do seu lado: os seus pais. Depois os amigos de verdade. Finalmente, ouça o que as pessoas que não gostam de você têm a dizer, aprenda com isso a se defender e a se tornar cada vez melhor. Depois de tudo isso, tenha MUITA persistência.

A formação, pode ser Engenharia, Física, Medicina e Química são algumas das possibilidades. Áreas como letras, direito, administração, etc., estão fora da lista. Cursos de pós-graduação, mergulho, pilotagem, paraquedismo e outras atividades ligadas à profissão contam pontos para a seleção. Além disso, é necessário ser qualificado no exame médico, no exame físico, psicológico, bom senso de relacionamento e gostar de trabalho em equipe. Maiores informações: www.marcospontes.net

Que desafios enfrentou em sua mudança para a Rússia?

Acho que a adaptação ao clima exige um pouco. A quantidade de exames e testes iniciais também. Desde que cheguei a Star City, no dia 13 de outubro do ano passado, estou em treinamento contínuo. O treinamento usual para uma missão espacial numa espaçonave russa (Soyuz) sempre foi realizado num período de 8 a 13 meses. No meu caso, o mesmo treinamento teve de ser comprimido e completado com sucesso em 5 meses! Um treinamento em tempo recorde, nunca antes realizado. A rotina diária se inicia às 6 horas da manhã e se encerra às 23h. O dia-a-dia é composto de aulas, treinamento em simuladores, testes e exames, preparação física e estudo.

A nave Soyuz o levará até a EEI. Qual sua missão lá?

Em termos de funções, eu sou um astronauta treinado como “especialista de missão”, cujas tarefas no espaço envolvem todas as atividades, excluindo a pilotagem do veículo em situações nominais, o que é função do comandante, sempre da nacionalidade do veículo. Nesta primeira missão brasileira estarei levando e executando experimentos científicos de instituições de pesquisa e universidades brasileiras. A comunicação com o Brasil será feita por meio de sistemas de transmissão e recepção de voz, imagem e dados do setor russo e dos outros países.

Um momento que ficará para sempre como uma lembrança viva, nos momentos de maior dificuldade, de que o nosso país é um país que tem capacidade de sobra; que devemos nos orgulhar pelo que é nosso e pelo que somos: uma nação forte, com tecnologia, empresas e pessoas capazes, que fazem a cada dia uma história cotidiana de sucesso, a ser contada por gerações. Uma história de raça, garra, pioneirismo e amor ao Brasil.

Quando olha para a vastidão do espaço, o que lhe vem à mente?

O quão pequenos e frágeis nós somos perante Deus. Contudo, da mesma forma, penso no quanto somos importantes, cada um de nós, para Ele como partes preciosas de Sua criação.

Consegue ver a mão de Deus nas obras da criação, especialmente nos planetas, nas estrelas e nas galáxias?

Sem dúvida! Algumas pessoas me perguntam como convivo com a ciência e a religião dentro de mim. Não existe nenhum conflito entre religião e ciência. A fé é como a luz de um farol a nos guiar durante a noite de nosso conhecimento. Nos momentos mais críticos de nossas vidas, normalmente, de uma forma ou de outra, estamos sozinhos. Mas se temos dentro de cada um de nós a confiança em Deus, teremos a direção e a força necessárias para enfrentar qualquer situação.

Uma mensagem para os leitores.

Espero que todos estejam comigo, ligados pelas batidas do coração, na decolagem para a missão, no dia 29 de março. Já me perguntaram uma vez o que eu estarei pensando naquele momento. A resposta é simples: estarei pensando no meu país, nas pessoas que amo, na minha família, nos meus amigos, nos milhões de amigos que tenho e que sempre apoiaram tanto esse projeto. Estarei pensando que nada foi em vão e desejando que façamos, juntos, um futuro que tenha muita coisa boa para todos. Pois no final das contas, o que importa, realmente, não é saber como dar o próximo passo, mas saber que a decisão de seguir em frente depende apenas de nós mesmos.

Entrevista na íntegra:
www.michelsonborges.com


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