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26 de Setembro de 2018




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A cura de Cristo em um mundo em mudança

Qual é o futuro do ministério da saúde da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ao enfrentar os desafios da rápida evolução do ambiente global?

São Paulo, 30 de novembro de 2009

COMUNICAÇÃO
Pr. Jan Paulsen

Os séculos XIX e XX viram os “profetas da secularização”, sociólogos e pensadores políticos que previram o declínio da fé religiosa como uma força na sociedade. Eles simplesmente tinham como certo que quanto mais as pessoas fossem expostas aos avanços econômicos, científicos e políticos, mais rapidamente se livrariam das algemas antiquadas da fé. A morte da religião era apenas uma questão de tempo.
Os obituários, porém, eram prematuros. Encontramo-nos hoje num mundo em que as crenças religiosas são visivelmente importantes e, em alguns lugares, uma força crescente na sociedade. Em vez da “teoria da secularização”, os sociólogos agora estão mais propensos a falar de uma era “pós-secular”.

Há, porém, outra força poderosa no século XXI, a qual é produto de décadas recentes. Ao contrário das crenças religiosas, é recém-nascida, frágil e tem pouca ligação com o passado. Estou falando do processo de globalização, que é a recriação das estruturas sociais da humanidade dentro de um lapso de tempo que é simplesmente deslumbrante. A globalização funciona como um grande e dinâmico “sistema de transporte” que conduz ideias, valores e pessoas e as deposita em qualquer lugar, em todos os lugares. As barreiras de idioma, cultura e geografia já não são mais tão importantes quanto foram. Nenhuma instituição, pública ou privada, religiosa ou secular, permanece intacta.

A globalização é um fato; ela está acontecendo; suas consequências são inevitáveis e imprevisíveis. Do mesmo modo, a religião é uma realidade que está conosco. Está aqui e é uma força poderosa, tanto na vida dos indivíduos como na sociedade em que vivem. Essas duas forças – globalização e religião – convivem juntas, interagindo uma com a outra e, muitas vezes, são interligadas.

VALORES ORIENTADORES
 
Para o Ministério da Saúde da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as pesquisas sobre a evolução do panorama mundial que ocorre em lugares onde ela realiza sua missão, são assuntos muito importantes.

Ao caminharmos em direção ao futuro, não há dúvida de que o nosso compromisso continua firme. Continuamos a atribuir elevada prioridade na promoção, suporte financeiro e apoio aos profissionais da área médica e de cuidado da saúde por meio de nossa rede de mais de 600 hospitais, sanatórios, clínicas e postos de atendimento; pela nutrição e outros programas de saúde e pela defesa do vegetarianismo e da vida livre do álcool e das drogas.

Embora nosso compromisso seja claro, creio que é tempo de refletirmos mais profundamente sobre os valores que devem nos enraizar ao pisarmos no terreno movediço de um mundo em constante mudança. Mais que isso, questionar-nos sobre que valores podem, por sua vez, ser impressos nesse terreno. Que marca singular podemos deixar?
Precisamos nos perguntar: A que se parece a abordagem distintamente adventista do ministério da saúde? O que ela oferece que já não esteja sendo oferecido por qualquer outro fornecedor?

Consideremos brevemente quatro vertentes de pensamento elaboradas ao longo do patrimônio e da identidade adventista que são centrais para o ministério da saúde 
da igreja e que, espero, continuem a guiar-nos no futuro. 
Obviamente, esta não é uma lista finita de valores, mas pode, talvez, servir como ponto de partida para uma conversação

TECNOLOGIA DE CONEXÃO
 
“Pois Eu tive fome, e vocês Me deram de comer; tive sede, e vocês Me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês Me acolheram; necessitei de roupas, e vocês Me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de Mim; estive preso, e vocês Me visitaram” (Mt 25:35, 36, NVI).

Para os adventistas do sétimo dia, nosso modelo de relacionamento com outras pessoas tem seu princípio e fim na radical identificação de Cristo com a humanidade. Uma concepção individualista e fechada sobre si mesma do cristianismo está absolutamente em contradição com um Salvador que ia ao encontro das pessoas para restaurar os olhos dos cegos, curar leprosos e a mulher emocionalmente abalada.

Muito simples: não podemos manifestar nossa fé – nosso desejo de imitar a Cristo – em isolamento; encontramos o verdadeiro significado de nossas crenças e valores apenas dentro do contexto das relações humanas. Nas palavras do meu antigo professor Jürgen Moltmann: “A semelhança de Deus não pode ser vivida de forma isolada. Só pode ser vivida em comunidade humana” (J. Moltmann, God in Creation, p. 222).

Então, o que significa viver em conexão com os outros? Significa que os seus problemas não são somente seus; são meus também. Significa ter um sentimento de solidariedade para com a humanidade que me faz mais vulnerável, inclusive, para sua mágoa e dor.

Viver em conexão com outros significa que os grandes problemas da sociedade são problemas humanos coletivos. Começo a ver que a pobreza, por exemplo, não é apenas o resultado de circunstâncias aleatórias ou sorte arbitrária. Se eu vivo com conforto e outra pessoa vive na miséria, pode acaso haver uma relação material entre as duas situações? Talvez haja. Ao admitir isso, meu senso de isolamento diminui e meu senso de responsabilidade para com os outros cresce.

Como esses valores se manifestam dentro do ministério da saúde de nossa igreja? Colocando-nos, deliberadamente, em locais onde há “lacunas” no acesso aos cuidados da saúde; oferecendo atendimento sem levar em conta o aspecto cultural, econômico ou religioso da pessoa; evitando o pensamento “paroquial”, formando parcerias criativas com pessoas que compartilham nosso objetivo de aliviar o sofrimento humano, seja uma agência governamental ou outra organização de base religiosa, uma igreja ou mesquita. Significa ser motivado pelo amor, não pelo desejo de vantagem financeira ou tráfico de influência.

Finalmente, viver em conexão com os outros significa que “Ao vermos criaturas humanas em aflição, seja devido a infortúnio, seja por causa de pecado, não digamos nunca: Não tenho nada com isso” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 504).

TEOLOGIA E DIGNIDADE HUMANA
“Também disse Deus: Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança.” (Gn 1:26).

Seja qual for o significado de Imago Dei – e quem tem uma definição? – atinge a pessoa como um todo. Deus nos fez à Sua imagem – seres físicos, espirituais, morais, sociais e intelectuais.

Para os adventistas do sétimo dia, porém, o imensurável valor de cada pessoa vem além desse simples selo do Divino dado na Criação. A dignidade humana não resulta apenas de nossas origens, mas também de nosso potencial e de nosso destino. Esse conceito molda a maneira como lidamos com as pessoas. Em todos os nossos ministérios de cura, vemos em cada pessoa não apenas “o que ela é”, mas “o que ela poderá ser.”

Significa também que temos que, às vezes, ter a coragem de “partir para a luta”, a fim de reconhecer e condenar estruturas ou práticas que diminuam a dignidade de nossos semelhantes. Esse não é território novo para nós. Veja as palavras de Ellen White: “Escravidão, sistema de castas, preconceitos raciais injustos, a opressão do pobre, a negligência do desventurado – tudo isso é considerado como anticristão e uma grave ameaça para o bem-estar da raça humana e como males que a Igreja de Cristo é designada pelo seu Senhor, a destruir” (Life Sketches, p. 473).

Simplificando: reconhecer a imagem de Deus na humanidade significa que valorizamos as pessoas sobre todas as coisas – essa é a premissa fundamental presente em tudo o que somos e fazemos como igreja.

TEOLOGIA E ESPERANÇA
“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21:5).

Para os adventistas do sétimo dia, a esperança é um grande tema, uma parte essencial da nossa “marca genética” espiritual. Mas, para nós, esperança não apenas aponta em direção ao epílogo da história humana, o que “está por vir”. Esperança é a lente através da qual vemos o passado, presente e futuro.
Nossa esperança olha para trás, para a realidade da morte e ressurreição de Cristo e encontra ali o seu fundamento. É uma esperança que aguarda, com expectativa, o momento da transformação final, quando todas as coisas serão feitas novas, e encontra ali seu ideal, sua motivação. É uma esperança que olha para fora, para as realidades que encontramos hoje e pergunta: O que podemos fazer para começar a preencher a lacuna entre o que é e o que deve ser?
Alguns criticam e, com razão, uma perspectiva escatológica que serve simplesmente para nos reconciliar com a atual miséria, uma “letargia apocalíptica”. Mas, para os adventistas do sétimo dia, a renovação de todas as coisas não é apenas um acontecimento futuro da história, é um processo de renovação que se inicia agora. Aguardar a “bendita esperança” não é um exercício passivo, mas algo que exige ação no presente.
O ministério de cura da Igreja Adventista do Sétimo Dia é, acima de tudo, um despertar da esperança física e espiritual. Embora as necessidades físicas, muitas vezes, sejam mais visíveis, são indivisíveis das necessidades emocionais e espirituais. Ao ministrar para o corpo, não podemos ignorar o espírito, e a necessidade mais elementar do espírito é a esperança.

TEOLOGIA E TOTALIDADE
“Semeia-se corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção; semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder” (1Co 15: 42, 43).

Na morte e ressurreição de Cristo, vemos vívida e completamente exposta a extrema contradição da experiência humana: o poder corrosivo do pecado e o poder criador de Deus; a decadência da humanidade caída e a habilidade de Deus de renovar e transformar; a agonia pela separação de Deus e o Seu triunfo reconquistando o que é propriedade dEle. Na morte e ressurreição de Cristo, essa dialética entre decadência e integridade proporciona uma inigualável 
exposição do poder criador e redentor de Deus.

Tirar integridade da decadência, restauração do que está doente, encontrar paz em meio ao caos e luz na escuridão, eis a tarefa dada aos seguidores de Cristo.

Para os adventistas do sétimo dia, “totalidade” tem outra dimensão. Nossa espiritualidade abrange o todo da vida humana; reconhece que: “Muito íntima é a relação que existe entre a mente e o corpo (A Ciência do Bom Viver, p. 241), que não vivemos nossa vida por “segmentos”, onde a saúde física é simplesmente uma “peça” que pode ser separada da totalidade de nossa existência.

A nossa abordagem sobre saúde não é limitada apenas ao tratamento da doença ou na definição do que devemos comer ou beber, ou na formação de profissionais de saúde; é o conceito que engloba tudo o que contribui para a “totalidade” da existência humana.

Portanto, o ministério da saúde não pode ser separado de nosso comprometimento com a educação, com os direitos humanos, trabalho humanitário, cuidado com o meio ambiente, nosso desejo de ser uma força para o bem em nossas comunidades. Todos esses compromissos fundamentam seu início e fim, seu significado e objetivo em nossa missão espiritual que dá vida e força a tudo o que fazemos como igreja.

UMA VIDA MELHOR
Aqui é onde nos encontramos hoje, à beira de um novo mundo, sem poder imaginar perfeitamente se o deslocamento das placas tecnológicas, econômicas e políticas ainda recriarão o nosso cenário mundial.

Como será o amanhã? Eu não sei. Sei, porém, que não devemos ter medo dele.
Como o Ministério da Saúde da Igreja Adventista do Sétimo Dia impactará o amanhã? Oro para que permaneça firme ao seu compromisso de criar conexão, promover a dignidade humana e oferecer esperança e totalidade; para que continue, em uma variedade de formas, a ajudar as pessoas a alcançar uma vida “melhor”.

Na simples palavra “melhor” reside uma imensa gama de ideias − a habilidade para viver plenamente, amar profundamente, respirar livremente, experimentar a alegria e a ausência do medo, conhecer a esperança que existe fora dos limites do que é finito e que nos levará para a eternidade de Deus. Essa é a vida melhor que Cristo tem para nós; essa é a definição do que nos foi dado.

O pastor Jan Paulsen escreve mensalmente para a Adventist World, periódico mensal publicado pela Review and Herald Publishing Association.
Fonte: Adventist World (agosto de 2009)
http://portuguese.adventistworld.org/


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