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Quarta-Feira,
26 de Setembro de 2018




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"Escolhi o sábado"

Daniel Lisulo enterrou a cabeça no travesseiro, sacudindo todo o corpo com seus soluços. Momentos antes, ele estivera diante da reitora da Universidade Amiga do Povo, em Moscou, para pedir o sábado livre. Com outra nova aluna estrangeira, Daniel se matriculou no curso intensivo da língua russa, quatro horas por dia, seis dias por semana. Mas um desses dias caía no sábado.

Sábado, 25 de março de 2009

Caso
Andrew McChesney

A reitora, Galina Andreevna, recusou-se a ouvir Daniel quando ele foi ao seu escritório. “Se você se recusar a estudar aos sábados, pode arrumar as malas e voltar para casa”, ela disse muito irritada. Pelo menos foi assim que soou para Daniel, que falava muito pouco o idioma russo, poucos dias após chegar de Lusaka, Zâmbia.

Com 18 anos de idade, Daniel estava entre quatro zambianos que ganharam bolsa integral do governo russo para estudar medicina. Mas, com a exigência de frequentar aulas aos sábados, Daniel agora enfrentava a perspectiva de passar pela vergonha de ter que voltar para casa. “Eu estava tão assustado e não sabia o que fazer. Não conhecia ninguém aqui”, disse ele.
 
Daniel é um dos muitos adventistas do sétimo dia que enfrentam o dilema de colocar em primeiro lugar os estudos ou o sábado. Dezoito anos após o colapso da União Soviética, os guardadores do sábado continuam a ser um sério problema nas escolas russas, particularmente no nível superior, onde as aulas e exames são, geralmente, marcados para os sábados.

“Temos esse problema em todos os lugares”, disse Alina Danilova, violinista de 18 anos de idade que quase teve que abandonar o famoso conservatório de Moscou, quando seu grupo foi escalado para aulas aos sábados. Na Rússia, os alunos do primeiro ano são colocados em grupos que permanecem juntos até a formatura.

Após ferventes orações, Alina recebeu permissão do reitor para ser transferida para um grupo que não se reunia aos sábados. Se ela não tivesse mudado de grupo, teria que mudar de escola. 

                              

Recreando-se com os amigos: Daniel Lisulo (ao centro, na primeira fila) e Yemurai Bikwa (à direita) conversam com um aluno de medicina da Jordânia, fora do prédio principal do 
departamento médico da Universidade Amizade entre os Povos, em Moscou.                                         

                              

Apoio Espiritual: O estudante universitário Daniel Lisulo e Cassy Eliezer (da direita para a esquerda) posam com um amigo no saguão da Igreja Adventista do Sétimo Dia Internacional de Moscou. Os três estudantes decidiram guardar o santo 
sábado em vez de transgredir suas crenças.                                          

                                                          Alto Risco

Os riscos são maiores para os alunos estrangeiros, com bolsa de estudos, do que para estudantes russos, como Alina. Cerca de cem mil alunos estrangeiros estudam na Rússia todos os anos, segundo dados do Ministério de Ciência e Educação, a maioria de países em desenvolvimento como África, Ásia e América do Sul. Para eles, a recusa a frequentar as aulas pode significar voltar para casa.
 
“Do ponto de vista humano, isso é um grande risco – eles podem expulsar-nos da universidade imediatamente”, disse Cassy Eliezer, 30, do Haiti, estudante de relações públicas. “Na minha universidade, se alguém perde aulas quatro vezes em um semestre corre o risco de ser expulso.”


     Não tenha medo de fazer o que é certo ... Você pode até perder sua bolsa de estudos, mas não perca sua fé e a chance de ir para o Céu.


Assim que Cassy chegou a Moscou, em 2004, muitos alunos o advertiram de que ele teria que escolher entre Jesus e seus estudos. “Respondi que já havia escolhido Deus havia treze anos”, disse Cassy. “Eu apenas peço a Deus para me dar poder até que me expulsem da universidade. Se uma janela se fechar para mim, Deus abrirá outra.”
 
Mas Deus mantém a janela aberta para aqueles que Lhe obedecem. Nakena Katundu, 23, estudante de Engenharia Química, de Zâmbia, apelou para o reitor quando foi escalado recentemente para assistir a três aulas de laboratório aos sábados. Num momento de total desânimo, escreveu uma carta explicando que era adventista do sétimo dia, razão pela qual não podia estudar aos sábados, pois cria ser esse o dia do Senhor.“Você deve guardar o sábado para Cristo”, disse Nakena. “Deve, porém, dizer às autoridades por que está dando esse passo, de modo que fique claro para eles.”
 
Nakema deu a carta para seu pastor russo traduzir e entregou para outro reitor. Para sua surpresa, o reitor concordou em deixar que Nakema frequentasse as aulas de laboratório com um grupo que não se reunia aos sábados. O reitor assinou e carimbou sua autorização na carta de Nakena.
 
“Tais experiências nos fazem crescer em Cristo. Vemos como Deus nos leva até o fim”, diz Nakena.

                                           De Volta a Daniel

Daniel, entretanto, não conhecia as experiências dos outros alunos e, entre lágrimas amargas, no seu quarto do dormitório, orou a Deus pedindo direção.
 
No fim de sua primeira semana de aulas, ele voltou ao escritório de Galina Andreevna. Ele falou em inglês, e a reitora, uma senhora robusta, de cabelos curtos e brancos, face severa, respondeu em russo, gesticulando com as mãos para ajudá-lo a entender.

                                 

Reitoria Severa: Daniel em frente ao escritório de Galina Andreevna, reitora da universidade. Ela disse que, se ele não fosse às aulas aos sábados, podia fazer as malas e voltar para casa. Placa: Gabinete da Reitora.

Ela deu uma gargalhada irônica, enquanto Daniel gaguejava seu pedido mais uma vez e mandou que ele se retirasse do seu escritório. Na tarde da sexta-feira seguinte, Daniel abordou a reitora outra vez e recebeu a mesma resposta.A primeira semana de aulas na universidade era um desafio para todos os estudantes e os zambianos resolveram se encontrar.

Um deles soube que Daniel era adventista e apresentou-o a Sajin Tito, estudante de medicina da Índia, que estudou em Moscou por vários anos. Sajin convidou Daniel para o culto de pôr-do-sol em uma sala do dormitório. Daniel compareceu e os estudantes oraram com ele, tentando encorajá-lo.
 
No domingo pela manhã, Daniel procurou a reitora pela quarta vez. Galina Andreevna despejou uma torrente de palavras em tom de ameaça, as quais Daniel não podia compreender. Uma coisa, porém, ele entendeu: “Não tomar uma decisão já é uma decisão”, disse a reitora. “Volte para casa!”
 
Assustado e confuso, Daniel foi para seu dormitório e chorou.
 
“Quase perdi minha fé em Deus”, disse ele.
 
Na mesma tarde, Sajin e Nakena foram ao seu quarto, depois do culto na igreja.    
 
− Você sabe o que é correto. Não deixe que ninguém mude suas convicções, Sajin disse a ele.− Não tenha medo de fazer o que é certo” – completou Nakena. – Você pode até perder sua bolsa de estudos, mas não perca sua fé e a chance de ir para o Céu.

                                       Intervenção Miraculosa

Daniel orou durante aquele fim de semana e, na segunda-feira, compareceu às aulas, como de costume. Seus professores não disseram uma palavra sobre sua ausência.A semana passou rapidamente e Daniel começou a pensar se conseguiria faltar às aulas todos os sábados sem ter problemas. Entretanto, quando ele se sentou em sua classe, na sexta-feira, Galina Andreevna entrou.
 
− Zâmbia! – gritou ela para Daniel, indicando que ele a seguisse.
 
Galina Andreevna levou-o a um auditório e fê-lo compreender, por meio de sinais com as mãos, que ele iria fazer uma prova de ortografia. Daniel sentiu o sangue fugir do rosto. Ele havia aprendido o alfabeto cilírico havia apenas uma semana.
 
Galina Andreevna anunciou a primeira palavra: “prepodavatil”, ou “professor”. Tremendo, Daniel orou silenciosamente: “Se for da Tua vontade que eu não estude aos sábados, por favor, ajuda-me.” Então, ele pediu que a reitora repetisse a palavra.“Prepodavatil”, disse ela.
 
                                  

Ousando Ser Daniel: Daniel Lisulo, estudante de medicina de Zâmbia, 
que permaneceu firme em sua fé, posa na entrada principal da escola de medicina na Universidade Amizade entre os Povos, em Moscou.

Daniel soletrou lentamente a palavra. Para sua surpresa, soletrou corretamente. A reitora deu outra palavra. Também correta.
 
Após mais quatro palavras, Galina Andreevna ligou bruscamente um teclado. Os alunos aprendem pronúncia cantando as palavras russas, e a reitora deu uma lista de cem palavras a Daniel. Lágrimas surgiram nos olhos do rapaz, rolando pelo seu rosto.

Ele sabia que só Deus podia ajudá-lo.A reitora começou a tocar e Daniel hesitantemente cantou a primeira palavra. A reitora ficou em silêncio. Daniel cantou a segunda, depois a terceira e a quarta. Lentamente, um olhar de espanto tomou conta do rosto dela. Quando ele chegou à centésima palavra, estava radiante. Daniel pronunciou corretamente todas as palavras.
 
– Você é incrível! – disse ela em inglês. – Não sei o que dizer. Você é bom. Vá e confie em seu Deus.

                                     Louvado seja o Senhor!

Daquele dia em diante, a reitora começou a cumprimentar Daniel com um grande sorriso. Quando chegou a vez de eleger um monitor de classe –, um aluno para representar o grupo diante da reitora – ela interferiu e indicou Daniel. No começo do semestre, ela nomeou novamente Daniel para o cargo.
 
“Concluí que foi Deus”, disse Daniel, que, depois de um ano de aulas preparatórias, está terminando seu primeiro ano como estudante de medicina. “Essa foi a primeira vez que vi Deus realmente do meu lado. Não importa o que estiver enfrentando, Deus estará ao meu lado.”
 
“Bem-aventurado o homem que faz isso..., que se guarda de profanar o sábado” (Is 56:2).       
 
                                                    

Fé Inabalável: Daniel Lisulo em frente da Igreja Adventista do Sétimo Dia Internacional de Moscou. Ele crê que uma intervenção miraculosa o livrou de ser expulso da universidade, após se recusar a frequentar aulas aos sábados.
 

 * Andrew McChesney, jornalista, morou e trabalhou em Moscou nos últimos doze anos.


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