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São Paulo, 24 de junho de 2008


EDUCAÇÃO

Por Josias Coutini*


Mês passado fiz uma tremenda encenação para os meus alunos do 8º Ano sobre a importância de aprender as coisas. Eu não agüentava mais a mesma discussão semanal sobre ter que estudar, ter que vir para a escola, ter que ler, ter que se interessar, ter que pesquisar e principalmente não ter preguiça de saber das coisas. “Pra que serve?” “Não vou aprender isso.” “Estudar é demorado.” “Pra que eu tenho que saber essa coisa?” “Não quero vir pra escola.” “Não quero ir pro inglês.” Eu estava no meu limite.

Disse primeiro o óbvio: que a gente tem que saber para poder ensinar e para poder evoluir. Olhares vagos e suspiros foram a única reação. Então eu respirei fundo. E comecei a traduzir aquela frase no maior drama que eu consegui inventar na hora: “Já pensaram, se a gente tivesse que olhar pela janela todo dia à noite e ficar imaginando o que seriam aquelas luzinhas brilhando no céu? E por que em cada época do ano elas estão num lugar diferente? E por que o sol desaparece e reaparece? E se todo mundo pensasse outra vez que a Terra era achatada que nem uma moeda? Ou que tivessem que passar as tardes embaixo de uma macieira tentando entender por que as coisas caem no chão?”

Ombros subiram e desceram e eu via o tédio estampado na face deles. Arregacei as mangas e tomei mais um fôlego. “A gente só sabe um monte de coisas porque alguém, um dia, ficou quebrando a cabeça para entender aquilo e foi muito bonzinho de ensinar para o resto do pessoal o que tinha descoberto. Sorte que o pessoal prestou atenção e aprendeu para depois contar para mais gente. Porque, se não tivessem prestado atenção e aprendido, nenhuma das coisas que vocês conhecem tão bem, como a televisão, por exemplo, existiria.”

Palavra mágica: “Por que não?” – eu vi uma faisquinha se acender lá dentro dos olhos deles. “Porque não! Nem televisão, nem luz, nem casa, nem nada. Simplesmente porque ninguém ia saber de nada porque não tinha tido vontade de aprender nada. E a gente ia morar numa caverna e viver como os homens das cavernas. Até que os filhos daqueles homens das cavernas ficassem com preguiça de aprender a fazer fogo ou instrumentos de caça e aí todo mundo ia morrer de fome só por causa daqueles filhos preguiçosos que não entendiam por que tinham que ficar perdendo tempo aprendendo coisas chatas.”

Os olhos já estavam arregalados. Eles se olhavam. Assumiram, instintivamente, a postura ereta da espécie que dominou o planeta. Mas eu podia ver todos eles se imaginando em cima das árvores, comendo bananas, pois seriam macacos; não existiria ninguém para ensinar que Deus criou o homem. Soou o sinal do intervalo... Fui saindo da sala ... “E não ia ter açúcar e nem farinha láctea para colocar nas bananas”, eu disse. E lá de fora acrescentei: “E nem Nescau. E o único leite que vocês iam poder tomar era de macaca!” Silêncio absoluto e alguns risos. Saí para o intervalo.

Dois dias seguintes, quando cheguei na sala, as lições estavam feitas, um estava lendo e outro olhando um atlas enquanto me aguardava chegar. Não resisti e perguntei: “Poxa, rapaz, você lendo? E ele decretou: “Eu não vou tomar leite de macaca!” Eu prendi o riso o máximo que consegui e encerrei o assunto: “Então, estude!.”


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*Josias Silva é professor, escritor ensaísta e tradutor. Mestrando em neuro-lingüística pela USP, desenvolve projetos de leitura e formação do leitor. É consultor educacional da APROVATT – Soluções educacionais e colaborador fixo de revistas e jornais.


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