Expediente Fale Conosco Nossas Igrejas Departamentos Quem Somos APS On-line Menu Principal Quem Somos APS On-line Departamentos Nossas Igrejas Fale Conosco Expediente

Quarta-Feira,
25 de Abril de 2018




Trabalhe Conosco
Não se pode julgar o todo pela parte

São Paulo, 11 de junho de 2008

RELIGIÃO
Michelson Borges*

Deu no Portal Terra: "Os policiais de Cesena, na Itália, acharam que tudo não passava de uma brincadeira quando, na manhã de domingo, receberam o telefonema de um funcionário de uma igreja da cidade que dizia: 'Estou ouvindo gemidos e barulhos suspeitos que vêm de um dos confessionários.'" Não era brincadeira. Os policiais foram até o local e surpreenderam uma educadora de 32 anos e um operário de 31 fazendo sexo, informou o Corriere della Sera. O casal, que não teve os nomes divulgados, foi imediatamente levado para uma delegacia. "Somos ateus e, para nós, fazer sexo na igreja é como transar em qualquer outro lugar", alegaram. A mulher afirmou ainda que "antes de domingo, só havia entrado em uma igreja uma única vez".

O que essa notícia irrelevante tem a ver com este blog? Sem querer me deter no desrespeito do casal (duvido que eles gostariam que outras pessoas fizessem a mesma coisa na casa deles... ou, sei lá, vai saber...), o ato obsceno me fez lembrar de outra coisa: a mania que alguns têm de tomar o todo pela parte. Há quem diga que o cristianismo não presta porque levou à morte milhares de pessoas na época da Inquisição e das Cruzadas e porque hoje há os impostores que fazem da religião uma forma de obter lucros. Isso existiu e existe, não se pode negar. Mas alguns esclarecimentos se fazem necessários.

Primeiro, não foi o “cristianismo” que matou e perseguiu “hereges”, na Idade Média. Na verdade, muitos cristãos é que foram perseguidos pela igreja oficial, essa, sim, responsável pelas mortes e torturas. A religião cristã, fundamentada na Bíblia, é pacifista e tolerante. Ensina os cristãos a perdoar os inimigos e a dar a outra face ao ofensor. Portanto, culpar o cristianismo pelo que uma denominação religiosa/política fez é cometer um erro histórico injusto.

Segundo, julgar o cristianismo pelos falsos profetas de hoje, que prometem um céu na Terra e se aproveitam das mazelas do povo para se apropriar de seus suados centavos é outra injustiça que tende a nivelar por baixo todos os cristãos. Jesus mesmo fez a advertência de que o joio (falsos e mal intencionados “cristãos”) e o trigo (bons e sinceros cristãos) cresceriam juntos até o fim. A atitude mais justa a se tomar é procurar separar a mensagem cristã de seus maus representantes, além de olhar para os bons exemplos de ontem e de hoje, passando por Francisco de Assis e Madre Tereza de Calcutá, até um exército de bons homens e boas mulheres que dedicam a vida desinteressadamente pelo semelhante.

Se eu fosse adotar essa visão rasteira que muitos ateus empedernidos têm da religião (Dawkins que o diga), ao ler a matéria irrelevante publicada pelo Portal Terra, iria concluir que os ateus são todos uns devassos sem respeito. E mais: poderia concluir também que os ateus são dados ao genocídio, uma vez que os regimes políticos ateístas levaram à morte muito mais gente do que a Inquisição e as Cruzadas juntas.

Por isso, para ser justos, não devemos julgar o cristianismo pelos maus exemplos que brotam em seu seio e, nem tampouco, julgar todos os ateus pelas atitudes de alguns.

A propósito, no último sábado, apresentei uma palestra criacionista num congresso de jovens adventistas em Sorocaba. No fim da minha fala, abri espaço para perguntas e um jovem se apresentou como ateu. Pudemos trocar algumas idéias em público, tudo num clima respeitoso e franco. Antes de responder a primeira pergunta dele, parabenizei-o por estar ali, num congresso religioso, o que denota mente aberta e procura de entendimento do pensamento alheio.

Lutemos para apagar as fogueiras da intolerância e promovamos um ambiente no qual ateus, agnósticos, céticos, cristãos e adeptos de outras correntes religiosas e filosóficas possam discutir aberta e respeitosamente suas idéias. Afinal, o próprio Deus dá exemplo, ao convidar: “Venham cá, vamos discutir este assunto” (Is 1:18).

*Jornalista, Editor da Casa Publicadora Brasileira
www.michelsonborges.com

 


  Envie a um amigo

 Veja também
  Igreja adventista reforça importância de hábitos saudáveis entre seus fiéis
  "O Grande Conflito" aparece na lista dos mais lidos em pesquisa feita pelo Ibope
 
 
Site UCB Escolas Adventistas Portal Adventista Página Inicial Escolas Adventistas Portal Adventista Página Inicial