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Segunda-Feira,
16 de Julho de 2018




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Compreendendo instrumentos para excelência no ENEM

Diretores, professores, pais e alunos: Entenda o processo de surgimento do ENEM, as características avaliativas e o intuito do método que tem movimentado o país.

São Paulo, 03 de junho de 2008.


EDUCAÇÃO

Por Josias Silva*

Avaliação tem sido das temáticas educacionais, a mais discutida e polêmica nas últimas décadas.  O surgimento do ENEM e de outros instrumentos de avaliação Nacional tem mexido com administradores escolares e professores, os quais vivem em constante busca da melhor “fórmula” de preparação dos alunos para estes testes.

Avaliar os alunos sempre fez parte do processo educativo. As escolas o fazem há séculos, logo, pode-se afirmar que a história e a política regem os processos de avaliação. No entanto, nos últimos 15 ou 20 anos desenvolveu-se no mundo todo uma nova ciência: a avaliação educacional com o objetivo de analisar a evolução das escolas e dos sistemas educacionais. Esse é um passo gigantesco para a formulação e avaliação das políticas educativas. Passou a ser possível medir objetivamente a eficácia dos sistemas, das escolas, dos diretores e dos professores em relação ao que é um dos objetivos centrais da educação: a aprendizagem dos alunos.  Através da avaliação do desempenho dos alunos se procura avaliar as próprias instituições educacionais e a eficácia de políticas nessa área.

Vários conceitos e técnicas tiveram de ser formulados e aperfeiçoados nas últimas décadas para permitir o nascimento dessa nova ciência. Em primeiro lugar, foi preciso adotar conceitos universais sobre a própria aprendizagem. Para esses efeitos, seria inútil medir a aprendizagem dos conteúdos escolares, uma vez que eles podem variar entre países e sistemas de ensino ou mesmo entre escolas. Adotaram-se aqui os conceitos que não são novos na educação, mas que foram aperfeiçoados e passaram a ser objetivamente medidos: as habilidades e competências cognitivas desenvolvidas pelos alunos como resultado do processo educativo. Em segundo lugar, foi necessário desenvolver teorias e técnicas de medição dessas habilidades e competências que permitissem comparações intertemporais e inter-espaciais. Nesse aspecto destacaram-se os esforços desenvolvidos sobretudo nos Estados Unidos, associados inicialmente aos testes dos indivíduos interessados em ter acesso a determinados níveis educativos, em especial ao Ensino Superior ou à pós-graduação.

Esses esforços culminaram na chamada Teoria de Resposta ao Item – TRI – complexa num primeiro momento para neófitos, mas que possui uma simplicidade notável de interpretação uma vez que se alcança a sua compreensão. Em terceiro lugar, está a própria evolução dos computadores e da capacidade de processamento e armazenamento de dados. Sem isso, seria impossível reunir os elementos para o desenvolvimento dessa ciência: a formulação teórica associada à possibilidade de comprovação empírica.

Essa ciência foi desenvolvida também como parte do esforço para repensar a educação e os sistemas educacionais na chamada era do conhecimento. Já se foi o tempo em que as pessoas podiam estudar até os 20 ou 25 anos de idade e viver toda a vida com os conhecimentos adquiridos. Vivemos a era do conhecimento e nesse mundo é preciso aprender durante toda a vida. O conhecimento evolui numa velocidade sem precedentes, a tecnologia dá saltos cada vez mais freqüentes e é preciso acompanhar essas mudanças para estar inserido na sociedade. A sociedade exige dos sistemas educacionais o oferecimento de oportunidades de educação permanentes, ao longo da vida das pessoas. Trabalhar, consumir e participar da vida social exigem, agora, que a pessoa tenha acesso à educação ao longo da vida.

Nessa nova situação, o papel da escola de Educação Básica muda radicalmente em relação ao passado. É verdade que a escola básica deve continuar a cuidar da educação durante uma determinada etapa da vida das pessoas, mas sua função e seus objetivos são totalmente distintos dos que, erroneamente, prevaleciam no passado. Antes, a escola de Educação Básica podia pretender transmitir o conhecimento e até mesmo a “decoreba” era um instrumento freqüentemente utilizado. Hoje isso não é mais possível. Nessa etapa da vida, é essencial que a escola passe a ensinar as crianças e os jovens simplesmente a aprender.

Desenvolver o raciocínio, o pensamento crítico, a capacidade de pensar, de analisar e criticar, tais devem ser os grandes objetivos pedagógicos da escola na era do conhecimento. A “interdisciplinaridade”, a contextualização do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades e competências substituíram os velhos conteúdos de disciplinas estanques. Ler muito e escrever muito, essas são duas velhas práticas pedagógicas que têm uma atualidade cada vez maior e mais do que nunca devem estar presentes na escola.

nesse contexto amplo e universal que a OECD – a organização de cooperação e desenvolvimento que reúne os países mais desenvolvidos do mundo – decidiu lançar sua própria avaliação educacional: o Pisa. Chamam a atenção algumas características importantes desse sistema. Em primeiro lugar, o público alvo: testam-se jovens de 15 anos de idade, independentemente de sua escolaridade. Na verdade, procura-se determinar se os países estão preparando adequadamente a população para viver nessa nova era do conhecimento: o jovem nessa idade deve ter amadurecida sua capacidade de aprender ao longo da vida. Os resultados comparativos servem como alerta para os países sobre a eficácia de seus sistemas educativos. Em segundo lugar, o conteúdo dos testes. No primeiro, realizado no ano 2000, avaliou-se apenas um item: a compreensão leitora. No segundo, realizado em 2003, novamente a simplicidade do objetivo: avaliou-se o raciocínio matemático. No corrente ano, serão testados os fundamentos do pensamento científico. Ou seja, os organismos de coordenação dos países mais desenvolvidos estão sinalizando claramente ao mundo quais são os objetivos centrais dos processos educacionais no nível básico: o desenvolvimento de competências e habilidades básicas na área do raciocínio e da aprendizagem.

Nesse contexto, assume importância crucial a montagem de sistemas nacionais de avaliação e de informações educacionais para subsidiar a elaboração de diagnósticos sobre a realidade educacional do Brasil e orientar a formulação de políticas nacionais voltadas para a promoção da eqüidade e a melhoria da qualidade. Os objetivos da avaliação educacional no Ensino Básico devem ser: medir o desempenho dos alunos em relação ao desenvolvimento de suas habilidades e competências e aos níveis de aprendizagem esperados; relacionar o desempenho dos alunos com fatores sócio-econômicos, comportamentais, pedagógicos e de organização da escola; desenhar políticas educacionais para melhorar o desempenho dos alunos; subsidiar o trabalho de planejamento dos sistemas de ensino e subsidiar o trabalho de planejamento escolar.

A partir de 1995, o Brasil logrou criar um satisfatório sistema de avaliação e informação da educação por meio da reestruturação do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e com a realização de censos variados e testes de desempenho em todos os níveis de ensino. Criou uma cultura de avaliação, absorvida pela sociedade e referência para os gestores e analistas da educação brasileira. – O ENEM.

Avaliar para quê?
A palavra avaliação talvez esconda mais significados do que revela. Uma manifestação da falta de familiaridade da nossa sociedade com a avaliação do ensino é a falta de percepção acerca de seus múltiplos usos. Os progressos em usar tais resultados de forma mais criativa não acompanharam o esforço de criar sistemas de avaliação. O uso dos resultados ainda deixa muito a desejar. Aqui estamos falando tanto de um uso técnico por parte das Secretarias de Educação como de um uso político, em que a sociedade civil usa os resultados para pressionar por mudanças. E que ambos levem à implantação de medidas que tornem a escola brasileira capaz de oferecer a cada criança que a ela chega um bom ensino.

A grande novidade do nosso tempo é que foram desenvolvidos instrumentos de medição que criaram métricas universais para avaliar objetivamente a qualidade do ensino. Hoje é possível saber se os alunos de uma pequena escola pública do nosso interior estão atingindo os objetivos de aprendizagem que se espera nos sistemas educativos dos países mais avançados do mundo. A formação do cidadão capaz de viver num mundo global foi um dos objetivos acrescentados recentemente pela sociedade aos sistemas educacionais.

Entretanto, avaliação não é panacéia. É um instrumento caro que precisa ser corretamente aplicado e interpretado. Duas perguntas devem ser respondidas antes de aplicar qualquer processo educativo: O que avaliar? E para que avaliar? As respostas a essas questões devem indicar o método avaliativo: o instrumento a ser utilizado, o caráter amostral ou censitário do processo e os alcances das interpretações dos resultados obtidos. Penso ter deixado claro que muitas vezes as autoridades educacionais caem na tentação da simplificação e do sensacionalismo ao divulgar interpretações dos dados de avaliações que superam largamente o conteúdo efetivo dos instrumentos e metodologias que se utilizaram no processo. Por outro lado, é preciso ter em mente que o desempenho dos alunos é um dos aspectos do processo educacional que cabe às Escolas afinar e levar a excelência. 
 

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*Josias Silva é professor, escritor ensaísta e tradutor. Mestrando em neuro-lingüística pela USP, desenvolve projetos de leitura e formação do leitor. É consultor educacional da APROVATT – Soluções educacionais e colaborador fixo de revistas e jornais.


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