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Páscoa: Ervas amargas versus chocolate

São Paulo, 13 de março de 2008

CALENDÁRIO

Por Débora Carvalho*

A Páscoa está chegando. A cada ano, a indústria de guloseimas lança novidades deliciosas, doces e venenosas. As crianças adoram, mas os adultos não ficam atrás. Não mesmo. A começar por mim... (risos)... e olha que cresci longe de açúcar até por volta dos 10 anos de idade.

No entanto, quando nossa caixa de e-mails fica lotada daqueles arquivos em PPT com mensagens sobre a origem desse feriado, antes do coelhinho dos ovos de chocolate, dá para entender o motivo de tanto açúcar.

A Páscoa começou com os hebreus, na ocasião em que foram libertados da escravidão no Egito e partiram rumo à terra de Canaã, guiados por Moisés. A ordem era para comerem ervas amargas, simbolizando a escravidão que terminava. O sacrifício de um animal inocente representava a morte do Messias, para perdão dos pecados.

Este memorial da libertação permaneceu até o nascimento do Messias – o Cristo, que veio para libertar a humanidade da chamada escravidão do pecado. Entenda-se por pecado as ações que destroem a vida de quem comete e prejudica pessoas que possam estar envolvidas direta ou indiretamente – em qualquer que seja a situação. Entre eles, a inveja, a ira, a mentira... aquela lista que você já conhece.

Foi justamente na época da Páscoa que José e Maria viajaram para Belém, onde o Cristo nasceu – e não em dezembro, como é comemorado pelos cristãos no mundo todo. Também foi nessa data que o Messias cumpriu sua missão final, morrendo na cruz e derramando todo o seu sangue para redenção do homem.

Depois disso, não havia mais necessidade do ritual de sacrifício de animais – já que ele simbolizava a morte do Messias. O próprio Cristo introduziu um novo ritual: o da Santa Ceia, que fala de humildade, união e serviço, na cerimônia de lava-pés; mas, principalmente, lembra o sacrifício que já foi realizado por meio dos símbolos do pão sem fermento (o corpo) e o sumo da uva (o sangue). “Fazei isto em memória de mim”, disse o Mestre.

O ritual com ervas amargas ainda vive entre os judeus mais tradicionais. As crianças crescem ouvindo a história da libertação do Egito e da entrada triunfal na terra prometida – Canaã. Faz todo o sentido comemorar a liberdade e preservar as memórias.

No entanto, os cristãos tomaram outro rumo. Ao adotar o novo ritual ensinado pelo Messias, resolveram esquecer o passado amargo e introduziram o chocolate no lugar das ervas amargas. Profano? Eu diria que é um grande paradoxo. Não vale à pena ser fanático, assim como não vale à pena não refletir no verdadeiro significado da Páscoa enquanto devora o seu ovo de chocolate.

Nessa época, é bom o povo que se diz cristão dedicar parte dos pensamentos para meditar no Homem que andava fazendo o bem e que veio para cumprir a Lei que nós tanto transgredimos, pois “Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”, como está escrito no livro de Atos dos Apóstolos 4:12. Isso é a verdadeira Páscoa.

É verdade que os cristãos também enfrentaram perseguição e morte, e ainda enfrentarão – como avisou Cristo. Mas, a esperança da redenção adoça a vida de quem crê no Messias. Por isso, podemos nos permitir comer um pouco de chocolate mesmo na Páscoa. Mas não vale abusar.
 

*Débora Carvalho é assessora de imprensa da Igreja Adventista do Sétimo Dia na região Sul de São Paulo.


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