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Doutor Koenig fala sobre a ligação entre religião e saúde

Harold G. Koenig, professor de Psiquiatria, Ciências Comportamentais e professor associado de Medicina na Universidade Duke, fala sobre a ligação entre espiritualidade e saúde.


São Paulo, 18 de outubro de 2007

SAÚDE | ENTREVISTA
ASN
- Ansel Oliver
Durham, Carolina do Norte, EUA

Quando o doutor Harold G. Koenig começou a pesquisar a ligação entre a espiritualidade e a saúde, em meados dos anos 80, como outros nesse campo, ele o fazia sozinho, com muito pouco apoio. Somente nos últimos 10 anos, diz ele, há estudos financiados que exploram a ligação entre a observância religiosa e o bem-estar físico.

Koenig, o co-fundador do Centro Para Espiritualidade, Teologia e Saúde, do Centro Médico da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, nos Estados Unidos, é considerado por muitos como o pesquisador-líder no assunto.

No mês passado, Koenig incentivou e ofereceu subsídios a pesquisadores similares, como orador principal da Conferência Nacional Australiana Sobre Espiritualidade e Saúde, em Adelaide. A conferência foi patrocinada principalmente por entidades da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Koenig é professor de Psiquiatria, Ciências Comportamentais e professor associado de Medicina na Universidade Duke, e também um autor prolífico. Ele adverte que algumas pessoas levam a extremos os princípios de saúde – o primeiro mandamento, que fala sobre não ter outros deuses, deveria incluir também a saúde, diz Koenig.

Recentemente, o doutor Koenig conversou com a Agência Adventista de Notícias (ANN) sobre a crescente popularidade entre a espiritualidade e a saúde, como a ciência pode medir a espiritualidade e por que ele gosta do que os adventistas do sétimo dia têm a dizer sobre a saúde. A seguir, estão alguns trechos da entrevista:

ANN: O senhor tem debatido com críticos na televisão, em nível nacional. Acaso há quem o apóie?
Koenig:
"Quando eu comecei, em meados dos anos 80, não havia muitos que apoiavam e eu tinha que ir abrindo caminho por mim mesmo. As pessoas que estão sofrendo e estão doentes ou com deficiências são aquelas que nos apóiam. São elas que vão falar sobre como a sua fé faz a diferença em sua vida e que estão vivas graças a isso. E quando você tem pacientes lhe dizendo isso, é difícil argumentar intelectualmente com eles."

ANN: Em 2005, a Universidade Duke promoveu um painel de discussão sobre espiritualidade e saúde com destacados decanos de escolas de Medicina, inclusive das universidades Harvard, Johns Hopkins e Stanford. O senhor disse que apenas ter essa discussão já era um progresso. Haveria outros fatores que indicam que a idéia de um elo entre espiritualidade e saúde esteja ganhando popularidade?
Koenig:
"Apenas o número de estudos e artigos que estão agora aparecendo em publicações de Medicina, Enfermagem e Saúde Pública. Um suplemento de 25 páginas no 'Southern Medical Journal' (Jornal Médico do Sul) é dedicado à religião, espiritualidade e medicina a cada três ou quatro meses. O fato de isso chegar a ocorrer é realmente inédito. Outras publicações têm dedicado uma edição completa ao tema. Em outros lugares também discutem a respeito – em toda parte no país e no mundo."

ANN: Há estudos suficientes para apoiar a ligação entre espiritualidade e saúde?
Koenig:
"Eu reconheço que há muitos estudos – cerca de dois mil, atualmente. Desses, uns 1.800 não são válidos, mas, se você encontra 200 excelentes estudos entre eles, então se conclui que onde há muita fumaça há geralmente fogo. Se toda essa evidência é encontrada para outros fatores, provavelmente seria parte normal da Medicina agora."

ANN: Pode a Ciência medir a espiritualidade?
Koenig: "Podemos medir as práticas religiosas. Podemos perguntar às pessoas quão freqüentemente vão à igreja, ou sinagoga, ou mesquita; podemos perguntar-lhes quão freqüentemente oram e quão freqüentemente lêem uma literatura religiosa; assim, podemos avaliar sua religiosidade intrínseca – a extensão em que a vida de cada um e o processo da decisão é estabelecido com base em sua fé religiosa. Podemos medir todas essas coisas, não perfeitamente, mas podemos avaliá-las, pelo menos de modo geral. E podemos certamente avaliar a saúde física, mental e social. Assim, devido a isso, há boa razão para estudar esses temas."

ANN: Há cerca de dois anos, o senhor declarou: "Estamos perto de provar [que o envolvimento religioso resulta em melhor saúde]". Se isso não foi provado, como dizer se está perto de se provar isso?
Koenig:
"Nunca se pode dizer que algo prove alguma coisa. Quando se está realizando uma pesquisa de observação, pode-se mostrar que são relacionadas e que uma parece conduzir ou predizer outra característica. Agora, com respeito à saúde mental, há uma meia dúzia de testes clínicos aleatórios em que pessoas religiosas com depressão ou ansiedade ou luto foram encaminhadas para a psicoterapia tradicional ou psicoterapia que levava em conta as crenças religiosas ou a fé que possuíam, e isso foi usado como parte da terapia. Na maioria, esses estudos mostram de fato de que o grupo que obteve a intervenção religiosa como parte de sua psicoterapia, sentiu-se melhor mais depressa. Isso sugeriria, em vista de serem testes clínicos realizados a esmo, que a intervenção religiosa realmente foi a causa da diferença entre os grupos."

ANN: Como o senhor responde a seus críticos?
Koenig:
"Até há dois anos, não havia verbas para pesquisa nessa área e as pessoas a realizavam por conta própria. Assim, certamente, havia muitas deficiências em alguns desses estudos porque não havia recursos. Atualmente, porém, essas críticas têm sido superadas por se dar bastante atenção ao controle de outros fatores. Não é em um só lugar que estão descobrindo isso. Há muitos grupos de pesquisa de grande reputação envolvidos. Creio que a crítica é às vezes levada a exageros."

ANN: Por que os cientistas em geral são menos religiosos que o resto da população?
Koenig:
"Cerca de 75% dos membros da Academia Nacional de Ciências dos EUA crêem em Deus, em comparação aos 96% da população do país. Essa diferença em crença e envolvimento religioso remonta a quando a ciência parece ter-se separado da religião. Por um longo tempo, a Teologia era conhecida como a rainha das ciências. Isso mudou com a Revolução Francesa e depois com a Ciência tornando-se o meio dominante para pesquisa real. Assim, a ciência da Psicologia ou Sociologia e da Medicina, de alguma forma, começou a emergir. 'Nós não somos religiosos, somos ciência pura; seja o que for que não se possa observar, não existe.' – esse se tornou o modelo para os vários ramos da Ciência. Permanece esse forte elemento divisório, particularmente por causa das tremendas conquistas da Ciência que nos têm chegado até nós. A religião é vista como não-objetiva e não-verificável. Assim, não é de se surpreender que entre os melhores cientistas do mundo eles se apresentem como um tipo de grupo especial que tem uma cosmovisão da qual a religião não faz parte".

ANN: O que pensa do Estudo Adventista Sobre Saúde que está sendo financiado em parte pelos institutos nacionais de Saúde [dos EUA]?
Koenig:
"Sou um consultor para o subestudo sobre espiritualidade. Creio que é bastante estimulante e que há poucas amostragens desse vulto que sejam tão bem escolhidas, que tenham tal profundidade em medidas biológicas. A única preocupação que tenho é que muitos adventistas são pessoas de fé tão forte que não haja muita gente não-religiosa suficiente para o estudo. Muitos adventistas participarão desse estudo porque desejam fazem algo bom, e parte disso é um reflexo de sua fé. Creio ser um estudo inspirador por causa da extensão e porque tem um histórico de 30 a 40 anos."

ANN: O que lhe interessa sobre o que os adventistas do sétimo dia têm a dizer a respeito de saúde?
Koenig:
"Os adventistas são um dos poucos grupos confessionais que estão dizendo algo a respeito de saúde. Isso para mim é inspirador. Os irmãos unidos e os menonitas vêem isso também como um fator importante, e até certo ponto, a minha Igreja, que é a Católica, também. Mas não há dúvida de que os adventistas têm avançado mais nesse caminho, envolvendo de fato os [executivos da Igreja] em seu sistema médico. Tive a oportunidade de conversar com [o diretor de uma instituição adventista de saúde] Don Jerningan e sua equipe. Eu nunca havia me assentado com executivos titulares de um sistema de saúde para conversar sobre religião e saúde. Tive a chance de apresentar-lhes a pesquisa e conversar sobre as aplicações clínicas e eles ficaram realmente bastante entusiasmados."

ANN: Por que escolheu tornar essa a missão de sua vida?
Koenig:
"Provavelmente por uma série de coincidências. Tive que enfrentar traumas suficientes em minha própria vida para ser capaz de reconhecer essas coincidências na vida de outras pessoas. Isso não é nada em comparação com o que muita gente tem enfrentado. Talvez eu apenas tenha obtido mais possibilidade de falar, ou tenha me posicionado em um ponto em que possa falar por outros que enfrentaram mais tais situações em sua vida e não tiveram como fazê-lo.”

 


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