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Segunda-Feira,
16 de Julho de 2018




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Sustentabilidade até no casamento!

O casamento é o momento de união de duas pessoas que se amam e querem cuidar um do outro. Mas e quando o cuidado não se restringe ao casal? Entre os preparativos da noiva, a empreendedora social Sabrina Campos, para a grande data estava a preocupação com tudo em volta. Literalmente. O casamento foi o 1º  totalmente sustentável realizado no país. Saiba como tudo aconteceu.

Você considera que seu trabalho teve influência na hora de planejar seu casamento?

Sabrina Campos - Meu trabalho é minha vida, portanto, seria um pouco contraditório fazer um casamento “tradicional”  com  o conhecimento que tenho sobre sustentabilidade sócio-ambiental. Claro, que tudo isso vem com os anos de trabalho, não é algo que se aprende de um dia para o outro lendo livros somente. É conhecendo a realidade das ONG’s e seu trabalho, os empreendimentos sociais, os líderes sociais que foram meus alunos, etc.

Como surgiram as idéias para o casamento?

Sabrina Campos - Na verdade, a primeira idéia foi a questão do tratamento igualitário com meus convidados deficientes visuais (e foram 30 convidados cegos ou com baixa visão) e como fazê-lo. Tive o apoio do Instituto Vivo para imprimir os convites em braille e segundo a equipe revisora foi o primeiro convite de casamento em braille que imprimiram. Tive muitos apoiadores e parceiros. Entrei em contato com empresas de alimentos orgânicos propondo uma parceria, porque, sabia que seria o primeiro casamento sustentável do mundo e com cobertura intensa da mídia. Obviamente, essas empresas, em geral são de pequeno ou médio porte e não tem tido (até agora) tanta atenção da imprensa e/ou verba publicitária como grandes empresas de alimentos. Foram parceiros de alimentação a Grano Vitale, a Ecobras (RJ), a Sabor Natural, Yamaguishi, Native Alimentos, Grão de Soja, Jasmine Alimentos, Pão do Céu e Mãe Terra.

Para os tecidos, a Baobá Tecidos Orgânicos, apoiou com alguns metros de algodão orgânico, transformados na roupa do noivo – Rafael, do meu filho – Gabriel e do meu avô Félix e alguns metros de tecido de pet –no 1º. Vestido de noiva de PET do país. A empresa Góoc, doou as sandálias feitas de pneu reciclado e lona reciclada. A estilista Suzana Rodrigues, de Brasília, que desenvolve biojóias e gera renda para detentas do Distrito Federal, confeccionou a tiara de madrepérola que utilizei no casamento. O hotel Mercure Jardins, da rede Accor, foi escolhido por nós por ser a única rede de hotéis que trabalha com um conceito sócio-ambiental de grande porte e com políticas claras contra a exploração sexual no setor hoteleiro. Enfim, foram muitos parceiros e todos estão no site www.universobonito.com com acesso livre para que as pessoas saibam como fizemos o casamento passo-a-passo, com as empresas e ONG’s que participaram.

Explique porque a cerimônia foi "socialmente  justa, economicamente viável e ambientalmente correta".

Sabrina Campos - Socialmente justa, porque todos os serviços que pagamos (confecção vestido de noiva, serviços de buffet do Café Aprendiz, filmagem, etc) foi com uma distribuição justa de renda, ou seja, não concentramos a renda/pagamento em meia dúzia de pessoas e pudemos colaborar não somente para a geração de renda de várias ONG’s e comunidades, mas também para a divulgação do trabalho delas.  Foi economicamente viável, porque o preço cobrado pelas ONG’s é o justo, o lucro é repartido entre os beneficiários e gastamos um terço do que normalmente se gasta numa festa de casamento e nossa cerimônia foi de grande porte. Ambientalmente correta, porque nos preocupamos não somente com a reutilização de materiais diversos, mas na economia de consumo de energia natural em todos os preparativos do casamento – do transporte à luz utilizada, da roupa ao lixo doado para uma cooperativa de catadores de papel, da neutralização de carbono que ainda será realizada ao fornecimento de alimentos orgânicos que não prejudicam a terra e a saúde do agricultor.

Como praticar a sustentabilidade no dia-a-dia?

Sabrina Campos - Com medidas simples, se pode aplicar. Por exemplo: privilegiando a compra de comida orgânica, a escolha de serviços de pequenos empreendimentos sociais, economizando energia, fazendo seleção de lixo, utilizando transporte público algumas vezes na semana (para quem tem carro) – metrô por exemplo, colocando um cartaz no elevador do seu prédio com dicas para uma vida ambientalmente correta, na construção de uma casa colocando placas de energia solar como opção, utilizando pratos, copos e talheres biodegradáveis em festas, levando uma sacola para colocar os produtos que se compra no supermercado e evitar sacolas plásticas, etc. São infinitas as possibilidades e perfeitamente viáveis.

O que é carbon free?

Sabrina Campos - De maneira simples é um conceito de neutralização de carbono. Ou seja, calcular (não somente o carbono), mas todo o lixo consumido, energia, água, gasolina, carbono e outros gases emitidos, , na atmosfera e recompensar a natureza por exemplo com o plantio de árvores – que não é a única maneira.

 

De que maneira você articulou os trabalhos de diversas instituições, como costureiras da ONG Arrastão, jovens do projeto Café Aprendiz e do Projeto Tesourinha?

Sabrina Campos - Entrando em contato com elas, pois vários líderes já participaram de cursos que ministrei ou conheço bem seus trabalhos. Conheço e privilegio a contratação dos serviços deles no meu cotidiano. Cabelereiros, manicure e pedicure somente faço no Projeto Tesourinha há tempos e o Café Aprendiz já contratei em eventos e indiquei várias vezes.

Como foram os preparativos da festa em relação aos alimentos e bebidas servidas?

Sabrina Campos - As empresas foram enviando para o Café Aprendiz que preparou os alimentos. Sob a supervisão da organizadora de eventos Fabíola Cardullo, que se encarregou dos últimos preparativos e logística do casamento.

Todos os gastos com água, energia, lixo e gás carbônico serão revertidos em dinheiro para a SOS Mata Atlântica. Explique a escolha.

Sabrina Campos - Porque é uma ONG respeitada e que desenvolve um trabalho sério, além de ser pioneira em diversos projetos. Vamos doar o valor correspondente aos gastos para que a SOS Mata Atlantica faça a compensação através do plantio de árvores na bacia do Tietê. Este programa de compensação se chama Florestas do Futuro e está no site da instituição. Várias empresas e algumas pessoas físicas já colaboram com esta iniciativa.

Você desenvolve trabalhos sociais e sustentáveis no Brasil e no exterior. Qual a principal diferença?

Sabrina Campos - A principal diferença é que grande parte das empresas do exterior já internalizaram o conceito de sustentabilidade, enquanto as brasileiras estão engatinhando. Isso faz parte da cultura da nossa sociedade que também está iniciando seu processo de aprendizagem no conceito de sobrevivência sem prejudicar o meio ambiente e contribuir para uma sociedade mais justa sem ser assistencialista.
Um aspecto muito positivo e que é reconhecido internacionalmente, é que no Brasil, tiramos “leite de pedra”, ou seja, com poucos recursos financeiros e muita criatividade, fazemos verdadeiros “milagres” sociais. Tenho recebido este reconhecimento na Europa por projetos “simples”, eficazes e que têm grande impacto social.

Você já foi voluntária?

Sabrina Campos - Faço trabalhos voluntários desde os 10 anos de idade e de forma contínua. Grande parte do meu dia é atendendo voluntariamente diversas ONG’s ou doando bolsas de estudo para capacitação de líderes/ diretores de ONG’s em gestão de projetos, captação de recursos e comunicação.

Como será o documentário que mostra seu casamento e qual o objetivo dessa produção?

Sabrina Campos - Na verdade o documentário é para mostrar através da visão de uma criança de 5 anos (neste, meu filho Gabriel) toda a cadeia produtiva de um casamento – ou melhor -  um evento importante de maneira sustentável. Encontrei na oportunidade de fazer um filme com o projeto Cine Possível e alunos da Universidade Anhembi Morumbi uma forma de educar meu filho utilizando sua participação no filme sobre como contribuir para um mundo mais justo, além de compartilhar com o restante da sociedade.

Essa produção também tem o objetivo de contribuir para a capacitação e visibilidade do trabalho desenvolvido por jovens de baixa renda em cinema digital e dar a oportunidade para jovens de uma universidade particular de interagir e conhecer a realidade de jovens de sua idade que não tem recursos e produzem um trabalho interessante, assim como eles. O filme se chama “Com 1 limão, 2 limonadas”, e dentro deste conceito, de transformar o que poderia ser algo difícil, azedo ou complicado em mais de uma limonada doce e servida para mais de uma pessoa.


Redação
Fonte:
www.portaldovoluntario.org.br
Publicado com permissão


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