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Domingo,
23 de Setembro de 2018




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Conheça a endometriose: doença que causa dor e infertilidade nas mulheres

Dor na relação sexual; dificuldade para engravidar após um ano de tentativas sem sucesso; alterações intestinais durante a menstruação como diarréia ou dor para evacuar são sintomas que devem chamar a atenção para o diagnóstico da endometriose.


Saúde - Primeiro sintoma: cólicas menstruais muito fortes. Muitas vezes, as cólicas são tão intensas que incapacitam a mulher para o exercício de suas atividades habituais. Segundo sintoma: dor durante a relação sexual. Além dos sintomas citados, a doença também provoca alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, e nos casos mais avançados, a dor pode ocorrer também fora do período menstrual. “Estamos falando da endometriose, que também pode se constituir na causa da dificuldade da mulher para engravidar”, afirma o especialista em reprodução humana, Joji Ueno, diretor clínico da Clínica Gera.

Como as cólicas menstruais são ocorrências habituais na vida da mulher, o médico recomenda que a investigação das causas da cólica deve ser feita “quando estas apresentarem resistência a melhorar com remédios ou quando elas incapacitam a mulher a exercer suas atividades normalmente. Pois, cólicas exageradas são o principal sintoma de endometriose”, diz Joji Ueno.

A endometriose surge quando o endométrio - tecido que reveste a cavidade uterina - implanta-se fora do útero. Quando a mulher menstrua, fragmentos desse tecido podem caminhar pelas trompas, alcançando a cavidade abdominal onde se implanta e cresce sob a ação dos hormônios femininos. “A doença acomete de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva”, explica o médico.

Fatores de risco

“O estresse está associado ao problema. Sabe-se que mulheres com endometriose têm traços maiores de ansiedade e estresse. Portanto, o estresse é um fator de risco assim como as condições ambientais, que têm sido muito mencionadas ultimamente. Isso vale para o câncer e vale para a endometriose”, explica Joji Ueno.

A menstruação retrógrada que leva o endométrio para a cavidade abdominal e a baixa imunidade da paciente permitem que a endometriose se desenvolva.

Outro fator relevante é o número de menstruações. “Hoje, a mulher menstrua em média 400 vezes na vida, enquanto no começo do século passado menstruava apenas 40 vezes, porque a primeira menstruação ocorria mais tarde e ela engravidava mais cedo, tinha mais filhos e passava longos períodos amamentando”, diz o especialista.


Diagnosticando

A endometriose provoca alterações no ciclo menstrual, e pode surgir a partir da primeira menstruação. Em média, a mulher tem 32 anos quando é feito o diagnóstico da doença. Das adolescentes que apresentam dor intensa que requer repouso e as impede de exercer as atividades normais durante a menstruação, 40% a 50% podem sofrer de endometriose. Por outro lado, a doença pode aparecer também aos 40, 45 anos.

O exame ginecológico é o ponto de partida para o diagnóstico. “Se a doença se apresenta no ovário, o ginecologista pode perceber o aumento dos ovários pelo toque. Se acomete a região que fica entre o útero e o intestino, um tipo que se chama endometriose profunda, o toque permite perceber espessamentos atrás do útero, quando o médico apalpa essa região”, explica Joji Ueno. Entretanto, quando a doença acomete o peritônio - tecido que reveste a cavidade abdominal - fica mais difícil estabelecer o diagnóstico pelo toque.

Para os casos de doença avançada, o tratamento é cirúrgico, seguido de complementação clínica. Para os casos iniciais, é possível compor um tratamento clínico com a pílula anticoncepcional combinada ou só com progesterona. Além disso, é fundamental a prática de exercícios físicos e trabalhar a parte emocional da paciente, às vezes, recorrendo a um suporte psicoterápico, em virtude da influência que o estresse e a ansiedade exercem sobre a doença.


Laparoscopia

“O exame clínico, o emprego do marcador e o ultra-som são os meios adequados para definir as mulheres para as quais se deve indicar a laparoscopia”, diz Joji Ueno. A laparoscopia é um exame realizado sob anestesia, com pequenas incisões no abdômen por onde se introduz um tubo ótico de aproximadamente 10mm de diâmetro para visualizar as áreas da cavidade abdominal em que se fixaram os implantes (nome que se dá ao tecido endometrial deslocado). “É um procedimento cirúrgico menor que permite identificar tamanho, extensão e local de acometimento das lesões e iniciar imediatamente o tratamento adequado”, explica o médico.

Em relação aos cistos no ovário e no útero, a preocupação é retirá-los, mas preservando os órgãos, uma vez que na maioria das vezes as pacientes são jovens e têm desejo reprodutivo. “Através da laparoscopia, conseguimos ressecar também os focos existentes no tecido que reveste a cavidade abdominal (peritônio) e outros mais profundos localizados nos intestinos, indicativos de casos mais graves e que demandam tratamento efetivo”, diz o médico.

Depois da laparoscopia, quando a doença está num estágio avançado, costuma-se indicar uma medicação para suprimir temporariamente a menstruação. São geralmente medicamentos que bloqueiam a função ovariana para a paciente ficar de três a quatro meses em repouso hormonal e recuperar-se. “Depois deste período, a possibilidade da doença voltar existe, porque o retorno da função menstrual pode determinar o reaparecimento das lesões. Por isso, em alguns casos, é preciso suspender a menstruação por mais tempo e tomar cuidado depois das gestações”, alerta o diretor da Clínica Gera.


Informações:  (11) 3266 7974
www.gerasp.com.br


Márcia Wirth


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