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17 de Outubro de 2018




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Dieta rica em Ômega 3 pode impedir a progressão da degeneração macular

Enquanto os estudos sobre a relação da dieta e a prevenção da degeneração macular avançam, a forma mais efetiva de prevenir a doença continua sendo o exame oftalmológico de rotina

São Paulo, 29 de julho de 2009

SAÚDE
Da Assessoria de Imprensa

Uma pesquisa americana publicada recentemente no British Journal of Ophthalmology sugere que pessoas que sofrem de degeneração macular relacionada à idade (DMRI) devem seguir dietas ricas em ômega 3 e em alimentos com baixo índice glicêmico. Os pesquisadores basearam suas descobertas em exames feitos em quase 3 mil pessoas. O avanço de duas formas da doença, seca e úmida, foi 25% menor entre os que consumiram uma dieta rica em ácidos graxos, como o Ômega 3.

De acordo com o estudo, os ácidos graxos - encontrados em abundância em peixes como salmão e cavalinha - podem desacelerar ou até mesmo frear o progresso da doença. A pesquisa também revelou que pessoas que estavam no estágio mais avançado da doença e que seguiam uma dieta de baixo índice glicêmico - de alimentos que liberam açúcar mais lentamente - acompanhada de suplementos de vitaminas e minerais antioxidantes, como vitamina C e zinco, parecem ter reduzido o risco do avanço da degeneração em até 50%.

Estudos anteriores também já apontaram que a prevenção da doença está relacionada à ingestão de zinco e antioxidantes, juntamente com a redução da ingestão de gorduras. Agora, a nova pesquisa concluiu que a suplementação é ainda mais efetiva quando associada à ingestão de alimentos que são fonte de Ômega 3 e que têm baixo índice glicêmico.

Ainda que não haja uma única causa conhecida para a origem da doença, sabemos que a idade é o principal desencadeador do problema e que existem outros facilitadores para o aparecimento da degeneração macular, como por exemplo, o excesso de colesterol no sangue. A exposição à luz solar também pode desencadear a oxidação na mácula, por ocasionar morte celular na região e degenerá-la. Por isso, deve-se, sempre, usar óculos de sol com proteção contra os raios UV-A e UV-B que possam lesionar a retina.

Fumantes também têm mais propensão à doença, pois o cigarro acelera a oxidação do organismo e favorece a formação de drusas - acúmulos de substâncias tóxicas nas camadas mais profundas da retina. “As drusas são fortes indicativos de que há propensão para o surgimento da degeneração macular e mostram que o metabolismo está envelhecendo e não tem mais condições de eliminar as substâncias que produz”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Enquanto os estudos sobre a relação da dieta e a prevenção da degeneração macular avançam, a forma mais efetiva de prevenir a doença ainda é o exame oftalmológico de rotina, que deve ser feito anualmente, onde o oftalmologista pode solicitar exames complementares, como a angiofluoresceinografia e a tomografia de coerência óptica (OCT). “Precisamos também de campanhas para a educação dos pacientes, especialmente os idosos, sobre a existência da doença. É preciso envolver o oftalmologista generalista e o paciente, visando capacitá-los a realizar a detecção precoce da DMRI, quando as chances de melhora da visão e o controle da doença são maiores. São necessárias também ações educativas após o diagnóstico da doença, para que o paciente faça o tratamento adequadamente”, destaca o diretor do IMO.

 

Desafios no tratamento da doença

A degeneração macular relacionada à idade atinge especialmente pessoas com mais de 60 anos e pode levar à cegueira se não for tratada. Estima-se que aproximadamente 10% das pessoas entre 65 e 74 anos e cerca de 30% das com mais de 75 anos tenham a doença no mundo. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 2,9 milhões de pessoas com mais de 65 anos sofrem com o problema no Brasil.

A DMRI atinge a mácula, a área nobre e central da retina, responsável por enxergarmos os detalhes e as cores. Com o envelhecimento, a região recebe menos oxigênio e, para compensar essa deficiência, os vasos sangüíneos começam a se reproduzirem descontroladamente. "Eles se rompem e causam uma mancha que prejudica a visão", explica o oftalmologista Maurício Pinheiro, especialista em retina que integra o corpo clínico do IMO, ao falar de uma das formas da doença - a forma úmida ou exsudativa. Já em sua forma seca, a mácula se degenera - também pela falta de oxigênio - e forma uma cicatriz, que causa perda da visão central.

Atualmente, existem tratamentos somente para a forma úmida, que atinge a menor parcela dos pacientes, cerca de 10% dos que têm a mácula degenerada. "A forma seca interfere menos na acuidade visual e ocorre mais lentamente, mas deve ser diagnosticada o quanto antes porque não tem cura", alerta o médico.

“O tratamento da DMRI já passou por várias fases, incluindo a fotocoagulação a laser, a remoção cirúrgica da neovascularização, a translocação macular, a terapia fotodinâmica (TFD) com verteporfina (Visudyne) e, atualmente, a injeção intravítrea de antiangiogênicos”, explica o oftalmologista Maurício Pinheiro.

Segundo o médico, o tratamento da DMRI exsudativa com injeções intravítreas de ranibizumab representa a melhor alternativa terapêutica disponível. São muitos os estudos multicêntricos que destacam seus resultados. “Após anos e anos de evolução no tratamento da degeneração macular, esta é a primeira vez que o paciente tem um ganho real de visão. A ressalva em relação ao tratamento concentra-se no seu alto custo. O uso de injeções mensais representa um impacto financeiro na vida dos pacientes. Após as três primeiras aplicações mensais, o paciente é monitorado, submetido a um OCT, e, após uma avaliação de sua acuidade visual poderá ter que tomar outras injeções, como reforço para controlar a doença”, afirma Maurício Pinheiro.

CONTATO:

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Márcia Wirth

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