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Quinta-Feira,
26 de Abril de 2018




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Clipping: Folha Dirigida de 15 de outubro de 2008

Segue cópia da matéria na íntegra

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Objetivo é levar mais informação e conhecimento aos estudantes,  e não catequizá-los formalmente. É o que alegam os defensores do ensino religioso

ENSINO RELIGIOSO
Uma proposta válida?

Camilla Rolim
camilla.rolim@folhadirigida.com.br


E no início, fez-se o debate. Se antes o antigo conflito entre ciência e religião parecia envolver dois lados completamente antagônicos do conhecimento, hoje ele se faz presente – e de forma saudável – no mais laico dos ambientes modernos: a escola. Enquanto algumas instituições de ensino optam por seguir o modelo tradicional de grade curricular, muitas das que estão originalmente envolvidas (desde sua criação) com religiões encontram grande relevância em não abandonar o Ensino Religioso de seus currículos escolares.

Porém, um novo conceito de educação religiosa faz parte dessas escolas. Aqueles que acreditam que essa disciplina é apenas mais uma maneira de catequizar os alunos ou trazê-los para alguma religião se enganam. Hoje, até mesmo essa matéria apresenta um aspecto organizacional dentro das escolas: é necessário seguir um cronograma, apresentar avaliações e ter objetivos concretos para a didática da diversidade. Inicialmente, se a aplicação de ensino Religioso em meio a matérias tão precisas quanto Física e Matemática, aparentemente, se anulava, agora ela se desdobra em uma questão que intriga os que desconhecem esses métodos tão diferentes de ensino. No entanto, é possível aplicar o Ensino Religioso sem ferir questões e avanços da ciência moderna?

Por unanimidade, as escolas católica Marista Arquidiocesano, a Adventista Alvorada e uma profissional de Física formada na USP dizem que não há conflito entre as duas áreas do conhecimento. E, ainda que sejam aplicadas de maneira diferente entre escolas de linhas religiosas distintas, possuem o mesmo objetivo na formação dos alunos: desenvolver a consciência de coletividade e senso moral. Porém, é possível encontrar diferenças nas aplicações das duas escolas. Para entender melhor o que acontece no meio escolar de cada uma dessas instituições, acompanhe a seguir as tendências de ensino e os métodos usados em cada escola para integrar o conhecimento tradicional e laico aos ensinamentos e vivências das crenças variadas.

A religião pelo empirismo

O amplo prédio de formas geométricas e traços marcantes na Vila Mariana abriga um colégio católico que busca explorar, na soma dos aprendizados de diversas perspectivas, o diálogo e a pluralidade do mundo em que vivemos.  É isso que o diretor educacional do colégio Marista Arquidiocesano, Ascânio João Sedrez, explica ao falar sobre a aplicação do Ensino Religioso na instituição. “Procuramos fazer com que os alunos repensem suas próprias vidas e o significado de suas ações ao usar as experiências religiosas do passado como referência para seus próprios atos”, resume Ascânio.

Com a exposição e reconhecimento dos significados de símbolos diferentes em variadas épocas também visa trazer ao aluno uma profunda compreensão de contexto-histórico, geográfico, científico. Além disso, Ascânio diz que também é criado um “espaço de análise crítica quanto às crenças inter-religiosas”, que resultam em grande receptividade dos alunos à disciplina.

A diversidade também parece ser interesse entre o corpo docente da escola, formado por muitos professores que não são católicos. Entre elas, esstá a própria professora de religião, Najla Ghabar, que explica que o Ensino Religioso nos colégios Maristas “possuem mais uma conotação formal e histórica, instigando um conhecimento dialogal e construído na relação com o estudante no sentido de se tornarem mais próximas e menos estranhas aos alunos”. Por esse motivo que, na sétima série do ensino fundamental, os estudantes passam o ano conhecendo de perto os locais sagrados de diferentes religiões – sinagogas, mesquitas, templos – e são guiados para dentro deles de forma educativa e empírica. Lá eles mesmos descobrem as outras crenças e podem encontra aquelas com as quais se identificam.

Por se católica, a formação sobre catolicismo é realizada dentro da própria escola, na capela e nas missas, mas elas só são usadas em atividades lúdicas para a própria grade curricular. Isso porque Ensino Religioso é encarado como qualquer outra matéria pelos profissionais do Arquidiocesano, sendo necessária a realização de provas, presença e pontualidade. Tanto é normatizada a disciplina que é até possível, para os alunos menos atentos, ficar de recuperação.

Porém, tanto Ascânio quanto Najla fazem questão de reforçar que, por mais que o ensino esteja inserido dentro de um meio plenamente católico, a “catequização” ou a conversão ao estão entre os objetivos da escola. “Alguns dos contatos que os alunos possuem com a capela ou com orações são unicamente para que eles tomem consciência do espaço em que convivem e para que se familiarizem com a própria estrutura da escola”, esclarece Ascânio. Completando o raciocínio do diretor educacional, Najla explica que “conhecer o ambiente em que ficam tanto tempo de sua vida é essencial para que também se sintam inseridos nele”.

Outra forma de trazer o aluno para perto da matéria Ensino Religioso sem repulsa ou receio de enaltação da própria escola é aproveitá-la em outras disciplinas do currículo. É por isso que, como explica a professora, “muitas vezes há integração entre todos os conteúdos que estão sendo aprendidos, o que faz com que o aluno entenda o sentido de aprender essas mensagens”, diz.

Portanto, nada de possibilidades limitadas da aprendizagem. A legitimidade da escola consiste em apresentar para os alunos as mais diversas idéias humanas – desde o criacionismo, passando pelo evolucionismo, neo-evolucionismo e também passa pela criação do mundo, além das formas geológicas e geográficas – com uma ligação com as aulas de Ensino Religioso.

A diversidade de temas presente dentro da matéria também busca abraçar as pessoas de outras crenças que freqüentam a escola. A professora Najla explica que, muitas vezes por isso, os alunos apresentem tanta receptividade à matéria. “Há muitas crianças de outras religiões aqui, e queremos que elas se identifiquem com as mensagens que são passadas, sejam católicas ou de outras religiões”, diz a professora.

Deus e a Bíblia na formação do caráter

Na sala de aula com poucas cadeiras, um slideshow e u professor formado em Teologia e pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ficam cerca de 18 alunos de 3ª série ficam atentos às palavras e à tecnologia empregada no Ensino Religioso da escola. Seguindo um tema extraído das páginas da Bíblia, que é distribuída em sala de aula, o professor Rafael Cabral, da escola Adventista Alvorada, no Capão Redondo faz uma associação direta entre equipamentos modernos e conhecimentos bíblicos.

Ao problematizar e ilustrar com imagens, perguntas e vídeos, o professor procura fazer com que as crianças, mesmo pequenas e pouco vividas, questionem suas próprias ações e pensamentos. O slide no computador diz “Tenho que fazer a minha parte!”, e é a partir dessa idéia que a disciplina busca influenciar o pensamento dos alunos na coletividade.

O estudo moral de causa e efeito é uma constante nas aulas de Ensino Religioso do ensino adventista, e segue uma metodologia na aplicação: cada tema ocupa quatro aulas da grade curricular, na qual uma delas será de exemplos e reforço do que foi ensinado nas outras três através do livro sagrado.

E o que é ensinado através dele? Crescimento integral do aluno e a noção de responsabilidade são alguns pontos destacados pelo professor, formado em Teologia e pós-graduado em Educação em Aconselhamento, na Inglaterra. “Abraçar áreas além do acadêmico possibilitam a formação de um caráter fortalecido nos alunos”, também cita Rafael. O respeito das crianças pelas outras crenças e mesmo por idéias diferentes das suas também é desenvolvido, e auxilia a convivência do aluno dentro da pluralidade de idéias.

Porém, o também pastor Rafael Cabral se importa em reforçar que “não se busca um programa evangelístico”, tanto com aulas, tanto com o contato com a capela da escola. Em todos os momentos, Rafael repete que a importância maior dessas interações é mostrar ao aluno que ele faz parte de um mundo repleto de interações, escolhas e diferenças, e que ele deve saber enxergá-las de modo tolerante.

Ao não abordar religiões específicas, o Ensino Religioso Adventista também busca evitar a formação de possíveis conflitos entre os próprios estudantes. Essa preocupação se mostra marcante devido aos 70% de alunos da rede no Brasil que não são membros da Igreja. Mas a matéria não é tão simples quanto parece: se até a 4ª série, os alunos só assistem à aula sem nenhum tipo de avaliação, da 5ª à 8ª eles realizam provas e têm seus conhecimentos da Bíblia e das aulas testados através de provas.

Dentro das demais matérias, também existe uma aplicação do conteúdo religioso, mas não de maneira doutrinária. Também nessa área pedagógica, uma das crenças da igreja é reforçada no meio didático: o livre-arbítrio. Ainda que a própria lógica religiosa cristã leve a uma afinidade maior pela teoria do criacionismo, nenhuma das formas do pensar é dispensada. Rafael explica que os alunos são independentes para escolher suas crenças diante das possibilidades expostas, e que “a obrigação da escola é colocar o aluno em contato com as diferentes teorias do saber – a partir disso eles aprendem a fazer escolhas no ensino e a ter pontos de vista fortes para a vida”.

Um conflito abrandado

As duas escolas acreditam na integração entre o que é religioso e o que é científico. Ainda que seus métodos de aplicação ou conceito de ensino Religioso sejam um pouco diferentes, têm a mesma intenção na formação do caráter de seus alunos, e não se vêem como instrumento excludente do ensino laico. Como o professor e pastor Rafael Cabral, do colégio Adventista Alvorada, explica, “todo evento da religião está intrisicamente ligado a um momento histórico e a uma situação específica”. Mesmo sem conhecê-lo, a professora Najla  segue o mesmo raciocínio, e reforça esse ponto de vista: “é importante para a criança reconhecer essa aula nas demais e que ela veja o sentido científico do aprendizado que recebe nesta aula.”

A perspectiva científica também não é radical quanto à aplicação desse ensino nas escolas tradicionais. É como explica a coordenadora de monitoria da Estação Ciência, Maria del Carmen Ruiz: “a idéia é nunca fechar o conhecimento”. E, mesmo ela, formada em Física na USP – uma das mais exatas disciplinas e em um dos principais lugares do conhecimento empírico e científico – reconhece que é importante explorar as possibilidades do aprendizado para os alunos. “Acho importante que esse conhecimento seja amplo e que ajude na formação de um apoio moral para a criança”, opina Maria del Carmen. Ela também acredita que os dois ensinos possam contribuir entre si, e não necessariamente se anulam. “É possível fazer um acordo saudável entre as duas percepções de mundo”, afirma.

Todos esses conhecimentos e eventos estão conectados. E seja citando o nome de Deus para estruturar a criação do senso de coletividade nos jovens ou utilizando experiências coletivas na trajetória da história religiosa, percebe-se que não há só um jeito de se aplicar didática. Ter visão para usar todas as ferramentas ao seu alcance para formar e moldar mentes em desenvolvimento para além da sala de aula também é uma forma de melhora da sociedade. Afinal, para educar toda a ajuda e criatividade são bem-vindas – sejam elas divinas ou dos homens.

Folha Dirigida – 15 de outubro de 2008 – Suplemento do Professor


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