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Clipping - "Indústria": mais que um jornal, uma escola

Artigo publicado no jornal Gazeta do Povo, no dia 19 de novembro de 2007. Haygert fala sobre a história do jornal dos funcionários, e cita um jornalista adventista (em destaque).

São Paulo, 21 de novembro de 2007



COMUNICAÇÃO
Por Aroldo Murá G. Haygert

Quando cheguei ao Jornal Indústria & Comércio do Paraná (I&C), em 1986, para dirigir sua redação, na Travessa Itararé, 53, o que havia era uma grande expectativa de bom jornal. Sobravam idéias de vanguarda do seu dono, Odone Fortes Martins, uma usina de criatividade. Uma das propostas – depois implantada – era a do vídeo-texto, entregando no domicílio dos assinantes as notícias do mercado financeiro nacional e mundial. Ele estava certo: estudos da USC/Califórnia davam aquela tecnologia como um dos cenários mais atraentes. Quem me confirma é um ex-aluno daquela universidade, o dono da Master Comunicação, Antônio Luiz de Freitas.

Se aceitava o desafio de novas mídias, o jornal era, no entanto, uma lástima no essencial: não tinha arquivo nem laboratório fotográfico e nem falar em serviços de agências de notícias. Telex? Nem sonhar. Havia duas linhas telefônicas para a redação, um carro para reportagem e muitas máquinas datilográficas imprestáveis...

A competência de jornalistas como Maí Nascimento Mendonça, da equipe que para lá levei, fazia o jornal existir no dia seguinte: depois de traduzir páginas inteiras de uma revista americana com ofertas de importações e exportações, Maí sentava, com a maior dignidade, diante do televisor, pernas cruzadas e o inseparável cigarro na mão. Assim resumia as notícias, ouvindo o Jornal Nacional. Daquele trabalho de “pedreira” saíam manchetes da primeira página. Fotografias, às vezes, eram tiradas da própria tela da tevê. Internet, incipiente, existia em outros mundos.

Francisco José de Abreu Duarte, o Chico, era o secretário de Redação, linha-dura e com competência de comando; André Nishizaki era parte daquele exército de operários da notícia: estudante de propaganda, ele percorria – de ônibus ou a pé – as lojas e revendas de automóveis, para fazer uma média diária de preços do mercado de carros, caminhões e motos, novos e usados, um dos serviços do I&C. Gostou tanto que acabou estudando Jornalismo e se revelando um repórter de primeira, indo depois para o O Estado de São Paulo.

Havia profissionais consolidados, com ótimas fontes nas áreas em que o I&C dominava, como o mercado financeiro, em que, por exemplo, Mirian Gasparin transitava sem competidores; Martha Feldens foi o grande reforço vindo do Rio Grande do Sul, em 1986 – uma jornalista pronta, embora jovem, que aceitava qualquer desafio. Ela seria depois, por anos, a substituta de Ruth Bolognese, na sucursal curitibana do Jornal do Brasil.

Odailson Spada era o otimista incorrigível, o adventista fidelíssimo ao sábado (a partir das 18h de sexta-feira) e um especialista, lato sensu, em mercado agrícola. Conhecia as commoditties nas minúcias da ampla linguagem das bolsas de mercadorias e as entrelinhas das cooperativas agrícolas do Paraná.

Havia Graça Gomes, Nilson Pohl e Clécio Vargas de Oliveira, hoje jornalista-chefe da Globo em Minas. Kátia Kertzmann, Marisa Boroni Valério (hoje editora de Economia da Gazeta) e Tereza Bonatto Castro eram outras preciosidades gaúchas, amigas de Martha.

Estes eram alguns dos jornalistas que foram formando o conceito de que trabalhar no I&C era “participar de uma grande escola de jornalismo”. Escola que teria colaboradores especializados em propaganda, como Carlos Cauby e Ney Alves de Souza, este parte insubstituível da história da propaganda paranaense; Marisa Sampaio em música clássica; e Souto Neto em artes plásticas.

Roberto Gaida, publicitário que se formou em grandes veículos cariocas, por dois anos trouxe um faturamento publicitário polpudamente impressionante.

Com o passar do anos, as “gepettos”, máquinas de composição, e o past-up foram banidos. Na nova sede, na Comendador Araújo, a partir de 1989 o I&C recomeçava moderno, com a primeira redação totalmente informatizada de Curitiba. Dali consolidar-se-ia uma escola de jornalismo com a introdução de provas apertadíssimas para admissão dos jornalistas. Um vestibular que apontava nomes aptos a trabalhar mundo afora, como aconteceu com Hilton Hida e Adhail Felix, que depois foram para os Estados Unidos, trabalhando no Wall Street Journal e outros veículos, e Rodrigo Amaral, mais tarde em Londres e Claudia Belfort, hoje diretora de Redação do JT, em São Paulo.

Se profissionais definitivos, como Celso Ferreira do Nascimento, Szyja Ber Lorber, Ayrton Luiz Baptista, Alexandre Castro e Carlos Alberto Pessoa dispensavam o “vestibular”, outros se lançaram no mercado a partir dos exames admissionais que pediam conhecimentos práticos e teóricos – estes para avaliar em que mundo o estudante vivia e sua capacidade crítica, essência da profissão.

De 1989 a 1998 dá-se a grande arrancada. O I&C dava-se ao luxo de ter um tradutor multilíngue de inglês, espanhol, francês, italiano, latim, alemão e japonês. Era o padre – então fora do ministério sacerdotal – Píer Paulo Bellucco, que havia missionado por onze anos em Tóquio, entre outras andanças. Espirituoso e integrado com os jovens (ele tinha uns 45 anos), cada dia revelava uma faceta. Com ele ouvimos pela primeira vez uma aula sobre a doença da vaca louca, cuja apresentação, numa tradução feita para o I&C, nos deixara perplexos. Noutro dia, ele recebia comitiva de deputados e empresários japoneses falando e traduzindo com desenvoltura o idioma em que celebrara milhares de missas.

As aulas a que me referi eram obrigação implantada no I&C, aos sábados; às vezes no Senac, outras em hotéis como o Betânia, em Colombo. Delas não ficavam isentos nem profissionais maduros, repórteres políticos muito especiais, como o já falecido Liones Rocha.

Das aulas não participava, naturalmente, o nosso colaborador mais precioso, que, pela amizade que nos unia, consegui levar ao jornal, o Jamil Snege. Ele seria, depois, o prelecionador de uma das aulas magnas daquela escola que, sem verbas, e vencendo carências de toda sorte, comprometia-se a entregar gente de primeira, aperfeiçoada, para os meios de comunicação social. O que fazia o jornal ganhar posição única na área de economia e finanças no estado. Uma referência.


Aroldo Murá G. Haygert é jornalista, professor do Grupo Educacional Uninter, presidente do Instituto Ciência e Fé e comentarista da Rádio Banda-B, de Curitiba. 


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